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A vida e suas verdades. E assim as crianças vão sendo formatadas para verem, sentirem, compreenderem o mundo, a si mesmas e os outros pelo vício histórico da criação das verdades em cada cultura, em cada sociedade, em cada lugar pelo planeta. As verdades que vão sendo construídas em cada situação sócio-histórico-cultural vão produzindo também arquiteturas afetivas que modelam os nossos modos de ser. Daí possuirmos inúmeras arquiteturas afetivas que foram construídas historicamente, ao longo de nossas vidas, e outras que ainda o serão. 

Esta visão nos leva a pensar uma das perspectivas do nosso método da AFETOLOGIA: como construímos na relação com o mundo determinados modos de ser que só se explicam pelo conjunto das emoções, ideias e imagens que formam determinadas arquiteturas afetivas. Sim, uma ideia que nos sobrevém à mente nos afeta de algum modo. Uma lembrança que nos invade através da memória também nos afeta. Uma emoção também nos afeta, pois ela nasce da relação com as ideias, com as imagens que trazemos em nós e, por sua vez, da maneira como nos conectamos com as pessoas no presente, aqui-e-agora!

Voltamos às crianças! Elas vão sendo educadas a sentir o mundo, a perceber o mundo de determinadas maneiras! Sim, de determinadas maneiras! E este projeto de modelização das suas mentes, dos seus modos de sentir, dos seus modos de pensar vão produzindo arquiteturas afetivas, ou seja, modos de ver o mundo, pensar o mundo, de pensar a si mesma, os outros, de se afetar pelos outros, de afetar os outros, seguindo os cardápios das verdades. Estes cardápios indicam sempre como cada criança deverá ser!

Isto na escola, em casa e nas diversas instituições onde as crianças receberão modos pré-determinados de como ser na vida. Claro que as crianças precisam ser educadas. No entanto, a educação afetiva, uma educação que vise um olhar sobre como elas afetam o mundo, sobre os efeitos dos seus gestos, palavras sobre os outros, tudo isto é muito pouco feito nas escolas e na educação familiar. O que se vê são os cardápios prontos de uma moral que diz o tempo todo o que se devem aprender, como aprender, engolindo as verdades sem diálogo! Se a criança pergunta: "mas, isto não poderia ser assim também?!" Algum adulto viciado no cardápio das verdades poderá responder: "isso é assim, sempre foi assim e sempre o será!". Imagine como seria receber uma resposta desta! Como isto te afetaria?

Divorciar-se das verdades! Esta ideia foi da minha amiga Carine Ribeiro que, num de nossos diálogos, expressou na velocidade da luz o caminho para a construção de uma vida mais plena, mais sensível e menos enrijecida. 
As verdades cortam o fluxo de vida. As verdades cristalizam as emoções. As verdades fixam o olhar sobre o mundo, sobre si, sobre os outros, sobre o que podemos fazer de novo. Com o enrijecimento das verdades a  vida passa a ser opaca. A respiração fluida passa a ser uma respiração contida no peito, fechada na angústia de ter a pretensa solidez de alguma certeza e, mais uma vez, o desejo de viver uma vida movida por verdades pretensiosamente ditas como precisas.

Como seria se divorciar das verdades?! Como seria poder sentir, pensar e ser consigo e com os outros a partir de outros pontos de vista? Como seria poder se afetar com outras maneiras de ver o mundo, para ser e estar no mundo compondo a vida de forma vitalizadora para si e para os outros?! Escreva para mim: paulo.tarso.peixoto@gmail.com <mailto:paulo.tarso.peixoto@gmail.com>.

Abraço
Paulo-de-Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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29/05/2017 às 12h46m

Musicalidade da vida

A vida é musical, já nos dizia o filósofo Deleuze! Isto não quer dizer que todos são músicos, mas, sim que todos se compõem na vida, através dos inúmeros acontecimentos que ocorrem na vida, assim como um músico, um artista compõe suas partituras.

A vida é o tecido no qual nos tecemos pelos inúmeros fios que nos entrelaçamos. Por que não dizer: a vida é feita de escalas sonoras nas quais cada um de nós é uma das suas notas. Através da conjunção de cada nota - que somos cada um de nós - novas melodias são compostas. Desta forma, cada um é parte de uma partitura pela qual se constrói as histórias pessoais, as histórias regionais, de cada lugarejo, de cada cidade, de cada país, mesmo do universo.

A vida é a sinfonia que se expressa pelos inúmeros modos de ser. Espinosa nos dirá que Deus será a substância absolutamente infinita. Substância que ele identificará como a natureza. Por este prisma, Espinosa dirá que tudo o que existe - desde objetos, animais ou qualquer ser existente - são modos da natureza, isto é, Deus. Cada modo se expressará, diferentemente, de outros modos de ser por se organizarem, também, de maneira singular. Assim uma pessoa é um modo da substância absolutamente infinita, compreendida como natureza, sendo ele próprio uma composição.

Assim como cada ser contribui para a sinfonia da vida, sendo parte da partitura que é escrita com outras pessoas, isto é, outros modos, nós nos compomos singularmente através dos nossos interesses, apetites e desejos. Cada pessoa será, então, definida não por ser branco, negro, amarelo, por ter uma nacionalidade, por ser de uma determinada região. Cada um será compreendido por sua forma de ser no mundo. Cada um será definido por suas capacidades de se compor com os outros, com o mundo que lhe afeta e que faz parte da sua existência.

Esta é uma teoria que nos reenvia a discussão de que cada um teria uma essência interior que pudesse justificar sua existência, seu modo de ser. Se a vida é pura composição, cada modo da substância absolutamente infinita mudará a sua forma de ser, dependendo do grau de complexidade a que ele se permitirá viver. Daí o quanto mais a existência de cada um se abre a novos desafios, a novos conhecimentos, a novas possibilidades, mais sua composição existencial será complexificada. Nesta instância, será preciso um certo cuidado!

Não queremos dizer que cada um deve fazer de tudo para construir a sua complexidade. Será preciso, a cada instante, compreender as causas do desejo de desejar uma determinada coisa ou situação. Vemos, a partir do que foi dito, que inúmeras pessoas acreditam que viver será viver uma vida em nome de um prazer pelo puro prazer. Fazem inúmeras coisas para produzir o prazer instantâneo, imediato.

Compõem a existência, acreditando que será preciso consumir os inúmeros objetos - ter o poder sobre alguma coisa, o sexo desenfreado, os inúmeros vícios, drogas, objetos que são produzidos para que deseje sempre adquiri-los. O prazer é confundido nestas situações com a lógica de mercado e de poder.

A vida é o processo de composição na qual dela podemos viver o prazer de viver. O prazer aqui não é uma meta, mas sim o processo pelo qual realizamos nossa vida. Mesmo numa situação difícil podemos extrair a sensação de prazer, pois, sabemos que através desta situação poderemos alcançar outros níveis de realização na vida.

Abraços a todos.
Paulo de Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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13/03/2017 às 11h30m

Regenerar a vida

Cada pessoa regenera a sua vida de inúmeras formas. Assim a criança terá o seu desejo conectado nas brincadeiras, nos jogos, ampliando as suas capacidades de vitalidade. Ela buscará outras crianças para compartilhar uma vida. Deste compartilhamento inúmeras coisas, objetos e atividades as alimentarão. Não somente as frutas e outros alimentos nutrem a nossa existência. Existem tantas formas de nutrir a nossa vida, através das inúmeras situações que possamos desfrutar. 

O filósofo Spinoza, a este respeito, no Escólio do Corolário 2 da Proposição 45 da Parte IV do seu livro Ética, nos dirá: "Assim, servir-se das coisas, e com elas deleitar-se o quanto possível (não, certamente, à exaustão, pois isso não é deleitar-se), é próprio do homem sábio.

O que moderadamente com bebidas e refeições agradáveis, assim como todos podem se servir, sem nenhum prejuízo alheio, dos perfumes, do atrativo das plantas verdejantes, das roupas, da música, dos jogos esportivos, do teatro, e coisas do gênero.

Pois o corpo humano é composto de muitas partes, de natureza diferente, que precisam, continuamente, de novo e variado reforço, para que o corpo inteiro seja, uniformemente, capaz de tudo o que possa se seguir de sua natureza e, como conseqüência, para que a mente também seja, uniformemente, capaz de compreender, simultaneamente, muitas coisas. Esta norma de vida, assim, perfeitamente de acordo tanto com nossos princípios, quanto com a prática comum. Por isso, este modo de vida, se é que existem outros, é o melhor e deve ser recomendado por todos os meios, não havendo necessidade de tratar disso mais clara e detalhadamente. Escólio do Corolário 2 da Proposição  45 da parte IV da Ética". 

As palavras de Spinoza nos encaminham à construção de uma vida que se regenera a cada encontro. A cada encontro poderemos selecionar aquilo que amplia a nossa existência, avaliando as situações, coisas e pessoas que possam ser nocivas a ela, diminuindo a nossa potência de existir. Spinoza nos indica um caminho de regeneração da nossa vida, como uma norma de vida, isto é, como os indicadores que serão os nossos norteadores para a construção de uma vida em nome da alegria, construindo uma vida comum, para si e para os outros.

Este é o projeto da virtude spinozista: poder compreender seus afetos e desejos, suas causas e motivos pelos quais e nos quais se ligam às pessoas, coisas e situações. Será nos inclinarmos, permanentemente, na direção de uma avaliação dos nossos encontros, buscando conhecê-los, buscando compreender o que faz com que nós os procuremos, nós o desejemos, enfim, buscar os motivos pelos quais e nos quais vivemos nos ligando a eles.

Assim a vida se regenera a cada encontro, a cada situação! Buscar alimentos, pessoas, músicas e tantas outras situações e contextos alimentam a nossa existência. Quando somos moderados e estas mesmas situações, coisas e pessoas nutrem a nossa existência, produzindo o prazer, a alegria, nossa potência de viver aumenta, estaremos vitalizados. No entanto, se estes encontros são imoderados, ou somos escravizados, de alguma forma por eles, nossa potência de viver diminui: somos tomados pelos afetos, ideias e imaginações tristes. Desta forma, a vida vai se regenerando a partir dos encontros que temos com o mundo, com as pessoas e tantas e tantas outras situações. Mas, se ampliarmos as nossas capacidades de estar no mundo estaremos nós expandindo a nossa capacidade de existir e de viver. 

Grande abraço,
Paulo-de-Tarso

Autor: Paulo de Tarso

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01/03/2017 às 14h29m

Ecossistemas afetivos sociais

Na semana passada desenvolvemos o tema dos ecossistemas afetivos. Vimos que somos biodiversos: cada ser humano é habitado por uma biodiversidade enorme. Possuímos seres-indivíduos que fazem parte de nosso corpo, tais como bactérias, germes e outros seres. Sem estes a nossa vida não existiria. Daí poderemos dizer que somos um ecossistema que é composto pela biodiversidade, pela diversidade de seres-indivíduos de diferentes naturezas.

Poderíamos dizer que a vida nas cidades formaria ecossistemas sociais? Será que as diferenças entre as culturas, entre as religiões, entre os modos de vida totalmente diferentes, poderiam constituir ecossistemas heterogêneos, modos de vida heteróclitos que podem se combinar, podem se compor, podem se unir como um imenso ecossistema afetivo social?

Estas questões nos levam a pensar a vida complexa da cidade, seus desafios, seus impasses, suas invenções. Já há muito tempo trabalho com a questão da biodiversidade social e as suas composições na vida da cidade. 

A vida da cidade é feita por segmentações. Ir de um ponto ao outro na cidade para se fazer alguma coisa; ir de uma instituição à outra para cumprir alguma questão; ir de casa ao trabalho; do trabalho para o supermercado; de um ponto ao outro vamos construindo nossas maneiras de estar na cidade. 

De pouco a pouco vamos construindo arquiteturas afetivas, arquiteturas emocionais cronificadas, repetitivas, a partir da vida repetitiva feita pelos modos como nos relacionamos com a vida da cidade. Muitas vezes nos distanciamos de outros ecossistemas sociais-culturais por nosso modo de vida e pelos nossos valores e crenças.

Uma cidade é cheia de gentes, de experiências, de modos de ser completamente diferentes. Uma cidade tem tantas faces, quantas são as das pessoas que, nela mesma, habitam. Daí pensar a cidade composta como uma partitura musical com suas tensões, com suas harmonias, com suas melodias em contrapontos. Se cada pessoa é um ecossistema, como cada pessoa poderá tocar, afetar uma outra pessoa para formar um ecossistema afetivo mais complexo? Como será reunir pessoas de culturas, religiões, classes sociais diferentes?

Como será agregar e compor suas imaginações, suas ideias, suas maneiras singulares de ver e sentir a vida? Como será imaginar a possibilidade de uma composição da biodiversidade social, da diversidade dos modos de vida da cidade, reunidos como um só corpo, uma só mente, compondo um ecossistema afetivo social? Como poderíamos imaginar a constituição deste corpo coletivo para a composição de sinfonias de ideias, de sentimentos e suas imaginações criativas e criadoras para se pensar a vida da cidade?

Estas questões nos levam à questão da vida social, de suas implicações como um corpo sensível e afetivo em pura composição. Os mundos completamente diferentes e distintos podendo utilizar a capacidade de reunir suas imaginações e suas sensibilidades para compor sinfonias de ideias e soluções para os impasses da vida da cidade. Assim, poderíamos compor o ecossistema afetivo social. Um ecossistema onde as capacidades de composição de desejos formam e escrevem a partir das questões que tocam a todos uma sinfonia complexa de criações e saídas. Ecossistema constituído pela biodiversidade social-cultural.

Ecossistema afetivo onde as potências e capacidades de afetação entre cada pessoa que compõe a biodiversidade social poderá aumentar, pois, a abertura de cada mundo, de cada pessoa, poderá aumentar o grau de união, de proximidade entre as diferenças.

Grande abraço,

Paulo-de-Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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15/02/2017 às 14h25m

Ecossistemas afetivos I

A natureza é feita por ecossistemas. Estes são compostos pela biodiversidade, ou seja, pela diversidade de modos de vida completamente diferentes. Poderemos nos perguntar: como modos de vida completamente podem viver juntos? Como estes modos de vida se compõem para dar mais vida à natureza, ao planeta?

Poderemos compreender que cada ser humano é um ecossistema. Imaginem que cada pessoa possui "indivíduos" completamente diferentes para que a sua vida possa se fazer. 

Somos biodiversos: possuímos mais de 10 bilhões de bactérias em nosso corpo, sendo divididas em mais de 200 espécies diferentes. Estas vivem em contraponto com o corpo humano, pois, a um só tempo, se alimentam e conservam suas existências a partir do ambiente possa ser mais ou menos estável e onde alimentos possam ser encontrados. A cavidade bucal é um paraíso para milhões de bactérias e para a proliferação de suas colônias. A pele, o nariz, a garganta são também os ambientes que elas amam viver e conservar a sua existência, produzindo um meio em relação ao nosso corpo. 

Quando temos a consciência de que somos um ecossistema feito por uma biodiversidade começamos a perceber que uma mesma pessoa é constituída pelas diferenças, por seres completamente diferentes e que são necessários para que a vida se faça.

Poderemos encontrar no intestino os lactobacilos que o habitam: são alguns dos bilhões de seres microscópicos que vivem no nosso corpo. Na pele, milhões de bactérias vivem, reproduzem-se e morrem, passando a vida inteira em nosso corpo, da mesma forma que os lactobacilos que habitam o nosso intestino, estes regulando as suas funções e, com efeito, protegendo-o da ação de outras bactérias nocivas, alimentando-se também dos alimentos que consumimos

Assim como o nosso organismo, como um ambiente complexo feito pela diversidade de seres totalmente diferentes, os ambientes em que convivemos com outras pessoas também podem ser considerados como ecossistemas.

Uma família é um ecossistema, as relações no trabalho constituem um outro ecossistema, as pessoas que vão a uma igreja fazem parte de um ecossistema. No entanto, veremos que em muitas ocasiões as pessoas não se compreendem, não se escutam, não aceitam os modos de vida da outra pessoa. Desta forma, elas não sabem compor um ecossistema onde as diferenças podem dialogar. Muitas pessoas só sabem conviver com os iguais, com aqueles que pensam de maneira similar, com aqueles que vivem a vida do mesmo modo. Poderemos afirmar que estas pessoas ou determinados grupos resistem à ideia de que precisamos das diferenças para nos manter vivos.

Precisamos de pessoas que pensam diferentemente de nós para que possamos sair das nossas zonas de conforto. Precisamos de pessoas de outras culturas para que saiamos das nossas cristalizações identitárias culturais onde fixamos os nossos preconceitos sobre aqueles que são diferentes de nós.

Precisamos de pontos de vista diferentes, assim como precisamos de outros seres em nós, precisamos de pessoas diferentes para que possamos alargar a nossa perspectiva de vida.

Vemos no ecossistema familiar pessoas que, de algum modo, poderiam se afetar aumentando a vitalidade da vida neste ambiente. No entanto, o orgulho vai crescendo de pouco a pouco distanciando as pessoas que fazem parte do sistema familiar. 

Estaremos pensando nos próximos encontros como os ecossistemas familiar, nas relações de trabalho, entre culturas podem aumentar a vitalidade, a potência de vida em cada um destes ambientes. 

Abraço,

Paulo-de-Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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08/02/2017 às 14h40m

Saber viver IV

Semana passada pudemos partilhar o ponto de vista onde o conhecimento pode ser construído pelas experiências. Para além dos conhecimentos que são transmitidos nas escolas, nas universidades pelos professores, poderemos estar compondo conhecimentos com diversas pessoas. E aqui temos o grande papel das experiências!

Na semana passada pudemos compreender o conceito de ethopoiên. Este conceito nos fala sobre a experiência de transformação dos nossos modos de ser, das nossas maneiras de pensar, de sentir e de agir no mundo. Daí viver o ethopoiên ser a experiência de nos abrirmos aos mundos novos das outras pessoas. Esta abertura aos novos mundos dos outros poderá nos alimentar com novos olhares sobre a vida, com novas maneiras de nos compreendermos, compreendendo como os outros também constroem as suas vidas.

Pudemos ver na semana passada sobre o grande papel das pessoas idosas numa cultura. Na Grécia antiga e, também, nas tribos indígenas pelo mundo, o idoso é alguém que traz consigo os conhecimentos da sua cultura. Ele traz a história que será transmitida oralmente. Ele oferta imagens das situações já vividas e que podem servir de referência aos mais jovens para poder pensar as situações vividas no presente. 

Estas referências oriundas das experiências antigas não servem para ditar como os jovens deverão resolver seus impasses na relação com o que estão passando no presente. Estas referências servem como caminhos que são, muitas vezes, construídos por metáforas, por imagens poéticas, ou mesmo por músicas que aumentam o grau de percepção sobre  o que se está passando no presente. Daí o papel da arte ser fundamental numa cultura. 

Uma das teses gregas era a de que para se conhecer um povo, uma cultura, será necessário conhecer a sua arte, a sua filosofia de vida: as poesias, as músicas, o teatro e outras expressões que poderão nos dar as indicações sobre como um determinado povo se construiu diante de determinadas condições históricas, em determinadas situações.

O papel das experiências são fundamentais para construímos novos olhares para a vida. Daí saber viver será, sobretudo, aprender a desenvolver a capacidade de observar o mundo dos outros. Será desenvolver a capacidade de sentir outras maneiras de perceber as situações. Desta forma, poderemos pensar: "o quanto nos fechamos em nossas referências, nas verdades em que nós nos apoiamos para pensar e resolver as situações que passamos?; O quanto nos fechamos em nossos grupos em que convivemos cotidianamente? O quanto não nos deixamos nos tocar por outras maneiras de ser, por outros grupos que não fazem parte daqueles que convivo?". 

Saber viver será aprender a se abrir à experiência vivida com outras pessoas e, assim, nos alimentarmos de novos saberes para a vida, aumentando o grau de compreensão sobre a vida, sobre os outros e sobre nós mesmos.

Por vezes, ficamos com medo de nos aproximarmos de outras pessoas, de outras culturas, pois, estas podem ameaçar os nossos modos de sentir, de perceber e de compreender as situações. O medo é o afeto que nos distancia das pessoas e das culturas diferentes das nossas. O preconceito nasce deste medo. O preconceito nasce da experiência de nos fecharmos em nós mesmos, nas referências já conhecidas, nas verdades que cristalizam o nossos modos de ver as coisas da vida. 

Aprenda a abrir o teu coração às diferenças: assim, começamos a compor um saber para a vida.

Abraço,

Paulo-de-Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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03/02/2017 às 15h56m

Saber viver III

Vimos pelo encontro da semana passada o tema do cuidado de si e suas relações com as práticas de desenvolvimento de si. Vimos que Sócrates se inspirou na perspectiva do gnothi seauton [conheça-te a ti mesmo] dirigido ao cuidado de si [epiméleia heautou]. Vimos ainda que o trabalho de se dedicar ao conhecimento de si é uma prática para toda uma vida e, não somente, para os jovens. 

Hoje veremos a ideia dirigida à construção da vida como uma obra de arte. Podemos nos perguntar: "como construir a vida como uma obra de arte?; como se perceber como uma obra de arte que se transforma a cada instante?; como construir a vida, assim como os pintores, os compositores, os poetas compõem suas pinturas, suas músicas e poesias?".

Os gregos nos dão os caminhos para isso! Segundo o filósofo Michel Foucault, no seu livro intitulado "Hermenêutica do Sujeito", nos diz que os gregos utilizavam uma palavra muito interessante que poderá ser encontrada em Plutarco e em Dionísio de Halicarnasso: tratasse da expressão "ethopoîen, ethopoiía, ethopoiós". Ethopoîen significa fazer o êthos, ou seja, de transformarmos a nossa maneira de ser, de criarmos novos modos de ser. Ethopoiós será a experiência de transformar o modo de ser de um indivíduo. Em todas estas expressões o que vemos é a transformação dos modos de ser dos indivíduos. 

Uma coisa fundamental na experiência de transformar os modos de ser de cada pessoa: os conhecimentos úteis e que podem contribuir neste processo. Daí o conhecimento dos outros, o conhecimento das experiências dos outros será fundamental. Se abrir para ser tocado e ser afetado pelas experiências dos outros será se alimentar de novas maneiras de ver o mundo. Daí o conhecimento útil e que possa nos transformar, ou seja, um conhecimento em que a existência humana possa de desenvolver, se complexificar, será, sobretudo, um conhecimento relacional, um conhecimento que nasce do campo de experiência das relações. 

Importante dizer que este conhecimento que contribui para a transformação da nossa existência não é, necessariamente, um conhecimento recebido, ou seja, um conhecimento já preestabelecido [assim como recebemos com os professores, com os sábios, ou mesmo com os profetas]. Este é um conhecimento que nasce de um campo de experiência relacional onde, a partir de um jogo de afetações de ideias, de imagens, de sentimentos, as experiências de vida compõem transformações significativas em nossas vidas.

Este saber para a vida só faz sentido, pois ele é vivido, ele é partilhado, ele é encarnado na e pela composição de nosso mundo com os mundos dos outros. Daí a experiência do ethopoiên, esta experiência artística e estética de transformação dos nossos modos só sendo possível quando nos abrimos ao mundo dos outros. Os conhecimentos advindos destas experiências não são adquiridos pelos ensinamentos da cultura, das universidades, pelas teses de doutorado. Estes conhecimentos são advindos da abertura corajosa e ousada ao nos deixarmos ser tocados por outras formas de ver o mundo, por outras paisagens existenciais que estão no mundo e que, por vezes, nós tentamos nos distanciar. 

Este saber para a vida é advindo de um trabalho sobre si e que é feito na relação com modos de ser que nos alimentam, nos nutrem e que contribuem para que saiamos de nossas verdades mais cristalizadas, de nossas verdades mais cronificadas e esclerosadas. 
Abraços,

Paulo-de-Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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30/01/2017 às 12h13m

Saber Viver II

Na semana passada estivemos juntos pensando a respeito dos conhecimentos de onde podemos extrair caminhos para a construção de si, para a construção de caminhos na vida potentes, para a edificação de um saber sobre si, sobre os outros e sobre o mundo.

Vimos que o princípio socrático do conheça-te a ti mesmo [que em grego significa gnothi seauton] tem uma relação direta com o cuidado de si [epiméleia heautou]. A inspiração de Sócrates caminhando pela cidade e afetando as pessoas com as suas indagações a respeito da vida, a respeito das próprias dúvidas que as pessoas tinham a respeito dos diversos temas que as tocavam há 2.490 anos atrás, vem nos indicar o caminho do conhecimento de uma vida afetiva que, por vezes, desconhecemos.

Vivemos uma vida inteira se ocupando com tantas coisas e não nos ocupamos com os nossos modos de nos compormos com as outras pessoas. Não paramos para compreender como uma determinada situação nos afeta. Simplesmente, vamos vivendo a vida, deixando a vida nos levar... conforme a música do Zeca Pagodinho. No entanto, podemos nos inspirar na ideia do Zeca para imaginarmos que podemos viver o fluxo da vida, mas, que possamos dar as direções possíveis aos caminhos do viver, sem sermos passivos, sem sermos servos e escravos dos caminhos que a vida possa nos impor, possa nos levar...

Um destes caminhos será o de encontrar a boa medida em nossos pensamentos, naquilo que imaginamos, naquilo que sentimos. Desta forma, inspirados no cuidado de si que o filósofo Michel Foucault nos propõe a partir do conhecimento dos nossos pensamentos, das nossas paixões, das nossas emoções que são tão nossas, mas que nascem sempre na relação com as pessoas, com o mundo, poderemos desenvolver a capacidade de nos conhecermos e, assim, podermos ser governantes de nós mesmos ao invés de deixarmos as emoções, os pensamentos, as turbulências da alma imprimirem suas direções.

Na Grécia antiga a questão do cuidado de si surge como uma necessidade em uma dada ocasião. No entanto, esta ocasião não é o que é denominado em grego como Kairós, ou seja, como a boa ocasião, o bom momento. Esta ocasião necessária é o que em grego se denomina como hóra, ou seja, como o momento da vida, como uma estação da existência na qual e pela qual devemos nos ocupar conosco. E Foucault de forma poética nos indica esta "estação da existência", como os necessários invernos, verões, outonos que vivemos para desabrocharmos de forma primaveril em nossas vidas!

Este trabalho de se ocupar consigo, como um trabalho de um saber para a vida não pode ser visto, conforme Michel Foucault, como um imperativo ligado à estação existencial entre a juventude e a idade adulta. Este cuidado de si nos aparece como um trabalho permanente de si, como um trabalho de nos ocuparmos com os nossos afetos, nossos desejos, nossos pensamentos e sonhos por toda uma vida.

Encontraremos em Epicuro, no começo da Carta a Meneceu esta indicação do trabalho e do conhecimento sobre si para toda uma vida quando ele diz que: "Que ninguém hesite em se dedicar à filosofia enquanto jovem, nem se canse de fazê-lo depois de velho, porque ninguém jamais é demasiado jovem ou demasiado velho para alcançar a saúde do espírito. Quem afirma que a hora de dedicar-se à filosofia ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou, ou que ela já passou, é como se dissesse que ainda não chegou ou que já passou a hora de ser feliz.

Desse modo, a filosofia é útil tanto ao jovem quanto ao velho: para quem está envelhecendo sentir-se rejuvenescer através da grata recordação das coisas que já se foram, e para o jovem poder envelhecer sem sentir medo das coisas que estão por vir; é necessário, portanto, cuidar das coisas que trazem a felicidade, já que, estando esta presente, tudo temos, e, sem ela, tudo fazemos para alcançá-la. Pratica e cultiva então aqueles ensinamentos que sempre te transmiti, na certeza de que eles constituem os elementos fundamentais para uma vida feliz".
E é lindo poder pensar, através das indicações desta filosofia de vida, que podemos nos construir a cada instante, como uma obra de arte sempre aberta, sempre interminável, por toda uma vida! E esta obra de arte tem a direção da filosofia de Spinoza que nos indica que, assim como um corpo possui inúmeras e inúmeras partes, este mesmo corpo precisará de inúmeros e inúmeros alimentos variados para se recompor, para se regenerar, para nascer de si mais uma vez sempre renovado e recomposto! 

Desta forma, o objetivo proposto com a prática de si, o conhecimento de si com a filosofia, esta filosofia dirigida à vida, é o de ter cuidados com a própria alma, é o de alcançar a felicidade, esta atividade permanente de um saber dirigido à si e que se faz na relação direta com os nossos encontros com outros, com as nossas composições com os outros, com os nossos contrapontos existenciais com os outros.  

Para saber mais sobre a prática de cuidado de si e sobre o saber para vida [para aprender a viver melhor] entre na página do facebook: Afetologia Paulo de Tarso. Lá você poderá acessar meus vídeos abordando várias questões sobre a construção de saberes voltados para uma vida potente e alegre!

Cuide de si, se ocupe consigo,
Abraço fraterno,

Paulo-de-Tarso




Autor: Paulo de Tarso

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24/01/2017 às 14h22m

Saber viver

Como a música de Roberto Carlos e Erasmo Carlos no ensina: É preciso saber viver! A arte de construir um vida potente, uma vida onde o sentido de viver está sendo feito e refeito permanentemente já era uma busca nas filosofias há mais de 2.500 anos atrás. Todas as filosofia antigas eram eudemonistas, ou seja, elas buscavam a partir de práticas reflexivas, de trabalhos corporais e sensíveis a construção da felicidade.

Assim, como a música de Roberto e Erasmo nos indica "quem espera que a vida, seja feita de ilusão, pode até ficar maluco ou viver na solidão, é preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer... é preciso saber viver....", as filosofias antigas nos indicam caminhos para a construção de uma vida onde nós podemos saber viver. 

Um dos caminhos será seguir o princípio do epimeleia heautou, ou seja,  do cuidado de si para si. O Filósofo Foucault tratou desta questão num livro intitulado "Hermenêutica do Sujeito" onde ele nos apresenta as diversas formas de cuidado de si pelas filosofias da Grécia antiga. Construir a vida a partir de práticas reflexivas, de práticas onde o tempo do sentir pode ser vivido, será seguir as indicações do cuidado de si. 

Foucault nos diz que o filósofo Sócrates estava diante do Templo de Delfos quando leu a seguinte frase: gnothi seauton que significa "conheça-te a ti mesmo". Sócrates teve uma intuição ao ler esta frase sobre o conhecimento de si: "minha mãe é parteira... os deuses me dizem para que eu possa me conhecer... minha tarefa será ser um parteiro das ideias, ou seja, contribuirei para que as pessoas possam conhecer suas próprias ideias, o sentido de viver!". Desta forma, Sócrates começa o seu projeto enquanto um filósofo das ruas, contribuindo para um saber sobre a vida, um saber ético no qual e pelo qual as pessoas descobririam a partir de si mesmas o sentido de viver. Sócrates dizia que "sabia que não sabia", ou seja, ele não dava as respostas para as pessoas: através de perguntas ele as levava a descobrir o sentido sobre o amor, sobre o futuro, sobre as dúvidas e incertezas a respeito da vida, sobre os tantos temas que fazem parte de um saber sobre a vida.

A música de Roberto e Erasmo continua: "Toda pedra no caminho, você pode retirar... numa flor que tem espinhos, você pode se arranhar... se o bem e o mau existem, você pode escolher... é preciso saber viver....".  Esta parte da música nos indica que a vida nos coloca, muitas vezes, em situações que precisamos decidir. Decidir seguir um caminho ou outro... por vezes, poderemos perder a orientação e não saber para onde seguir. E este é um ponto fundamental para o desenvolvimento do cuidado de si, ou seja, do conceito grego chamado epimeleia seautou.

O primeiro cuidado de si será se conhecer, isto é, será desenvolver o que Sócrates descobriu enquanto um projeto de vida para si: o de capacitar as pessoas a descobrir o sentido de viver a partir de suas próprias ideias, de seus próprios sentimentos. Ao invés de buscar o sentido da vida nas verdades prontas, o projeto de se conhecer nos leva à prática do cuidado de si. Assim as crianças na Grécia antiga eram educadas para, num primeiro momento, conhecerem as suas paixões, isto é, sobre os sentimentos que eles não compreendiam.

As crianças eram educadas para ler o mundo dos seus afetos: suas formas de serem afetadas pelo mundo, suas maneiras de serem tocadas pelas diversas situações da vida. Assim o ensino da "afetologia", que é a ciência, a arte, a filosofia de compreensão dos nossos modos de nos afetarmos pelas situações na vida era praticada como uma educação de construção ética para o viver. Primeiro compreender a vida para si: desta forma aprender a ser governante dos próprios sentimentos e emoções. Num segundo momento ser governante de família e num terceiro momento desenvolver a capacidade de ser um governante da cidade, participando da vida público-política para decidir os caminhos da cidade. 

Desta forma, a educação filosófica era uma arte a ser vivida e compreendida como um saber para a vida, como um saber para ser colocado em prática na compreensão dos sentimentos, enquanto uma prática de cuidado de si, para ser desenvolvida para o cuidado do outro e da cidade. 

Para saber mais sobre a prática de cuidado de si e sobre o saber para vida [para aprender a viver melhor] entre na página do facebook: Afetologia Paulo de Tarso. Lá você poderá acessar meus vídeos abordando várias questões sobre a construção de saberes voltados para uma vida potente e alegre!

Abraços,
Paulo-de-Tarso





Autor: Paulo de Tarso

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13/01/2017 às 11h49m

A história tão nossa

Qual é a tua história? Com quem você a constrói? Com quem você construiu a tua história? Com quem você deseja construí-la? Estas perguntas me trazem a ideia da nossa posição na vida! Temos a noção das latitudes e longitudes dos nossos desejos, dos nossos sonhos, da construção da nossa própria história. Estamos aqui neste ponto, num dado lugar: esta é minha latitude.

Mas, para eu estar neste ponto, neste lugar eu trago comigo a minha história, aquilo que é meu patrimônio histórico do meu passado e, também, as imagens do que eu desejo hoje e no futuro para mim: estas são as minhas longitudes. Por um lado, estamos indo de um lugar ao outro: estes deslocamentos de casa para o trabalho, do trabalho para o super-mercado nos indicam as nossas latitudes. Mas, neste percurso de eu ir de casa para o trabalho e do trabalho para o super-mercado, levo comigo a minha história e a história que desejo construir. 

Cada pessoa constrói a sua história com as pessoas e o mundo que cria para ela. Assim cada pessoa cria um mundo-próprio. Um mundo carregado de imagens do passado que se misturam com aquilo que está fazendo no presente que se dirige aos momentos dos futuros seguintes. Desta forma, cada pessoa é habitada por situações já vividas e outras por viver: tudo isto no instante passageiro do presente! O presente é o ponto que liga o passado com o futuro. No presente nos fazemos outros. O que quero dizer é que no presente temos a oportunidade de nos combinarmos com as pessoas, com o mundo, com a natureza para continuarmos a escrita da nossa história. Mas, esta escrita da nossa história não é feita sozinha. Nós a compomos COM as pessoas e o mundo. Daí a nossa história ser uma co-autoria. Outras pessoas fazem parte da nossa história. Assim a nossa história é uma composição: é uma posição no mundo feita COM os outros. 

E como você está construindo a tua história hoje? Com quem? De que maneira? Com quais sentimentos? Com quais ideias você está se combinando para construir a história de hoje? Pois, é a cada instante - a cada micro-segundo - que construímos o que somos! Assim como nos alimentamos de inúmeros alimentos para regenerar o nosso corpo, a vida é regenerada pelos encontros que fazemos com as pessoas, com as músicas, com os livros, com a natureza e com tantos e tantos outros encontros.

Aproveitar a energia do momento, aproveitar a energia do instante, percebendo com o que ou com quem você poderá se ligar, se encontrando para construir a história do presente. A história de um presente que não pára de passar. Assim como os riachos constroem suas histórias com as suas margens que dão o contorno para o deslizar das águas que nunca são as mesmas. Nossa vida é feita de um corpo que dá passagem aos inúmeros desejos, sonhos, ideias e sentimentos que são nascidos com os outros.

Se fazer nascer com os outros! Se deixar nascer diferente com os outros, construindo para si e com os outros as histórias de vida que façam sentido. O sentido só faz sentido quando se é sentido! O sentido da vida, para muitas pessoas, está em conquistar o poder, dinheiro, ter inúmeros amores, ter, ter e ter. Mas, cada um poderá encontrar o sentido da vida em coisas bem pequeninas: como ter alguém para estar ao lado e conversar; como ter alguém para rir das coisas que fala; como ter alguém nos momentos difíceis; como ter alguém nos momentos alegres e poder compartilhar estes mesmos momentos com esta pessoa; como ter alguém para que este mesmo alguém fale sobre seu mundo - e assim podemos conhecer o mundo através dos olhos dos outros; como ter alguém que nos indique quando estamos ultrapassando os limites; como ter alguém que nos estimule quando estamos desanimados... São tantas as experiências que podemos ter com as pessoas... Para além do capital financeiro, poderemos construir nossas histórias, enriquecendo-as com o capital afetivo. 

Assim as nossas histórias podem se enriquecer de tantas outras histórias compostas com as pessoas: cada uma com seus mundos, com suas histórias que foram tecidas com outras histórias. Qual é a história que você deseja construir hoje?

Abraços

Paulo de Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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Perfil
Graduado em Musicoterapia - CBM-CEU e em Filosofia - UNIMES, Mestre e Doutor em Psicologia - UFF, Pós-Doutorado em Filosofia UFRJ - Paris Est Créteil - Paris XII, Professor do Curso de Pós-graduação em Psicologia Clínica - Abordagem Gestáltica - IPGL - RJ, Professor do Curso de Especialização em Saúde Mental do Laboratório de Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS-ENSP-FIOCRUZ).

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