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20/09/2017 às 15h24m

Metáforas

Viver a vida em espaços definidos... Educamos a nossa mente a ver a vida de determinadas maneiras... Passamos a ver, a sentir, a pensar de modo cronificado... Olhar os mesmos caminhos para se ir ao trabalho... de um lado ao outro da casa, fazer as mesmas coisas de sempre... se ocupar com aquilo que já é trivial e repetitivo... nossas emoções passam a se repetir, talvez, por uma vida toda...

Como criar outras possibilidades no nosso viver? Talvez, compreendendo o mundo das metáforas! Etimologicamente, a palavra metáfora vem do grego [mehaphora] significando "transferência". Metaphora é uma palavra derivada de metapherein que significa "trocar de lugar". Assim, meta significa "sobre" ou "além" e "pheirein" significando "levar", "transportar". Este ponto dos transportes nos interessa, pois, as metáforas possuem a potência, a capacidade de nos retirar de um ponto para nos levar a um outro! Temos aqui as pistas para construirmos estratégias de vida que nos retirem dos nossos hábitos que mais paralisam as nossas vidas, ao contrário de expandi-la com toda a exuberância que ela possui: afinal, estamos vivos e vida é dinamismo, viver é movimento, é criar novas formas de ser!

As crianças sempre nos encantam com as suas capacidades de composição de metáforas! Um dia meu filho Nicholas, com 04 anos de idade, me disse quando estávamos na praia de Imbetiba, contemplando o entardecer no verão: "papai... o sol está envelhecendo...". Olhei para ele e, sem palavras, sorri! O meu sorriso foi o gesto de que ele estava correto em suas observações.

A cada dia podemos fazer nascer tantos encontros... podemos fazer morrer, ou deixar de viver tantas maneiras de ser em nós que ainda insistem em se reproduzir em nossas vidas! A fala de Nicholas sempre me acompanhou durante todo este tempo, pois, é uma experiência vivida que me fala de como nossa sociedade descarta os conhecimentos sensíveis das pessoas, das crianças, das histórias dos idosos. Vivemos numa sociedade do descarte! 

Mas, como fui feito para compor com tudo o que tiver à mão, presto atenção às coisas mesmas, às coisas simples da vida para poder construir metáforas de vida, ideias e visões de mundo que possam contribuir na passagem dos estados cronificados de vida, dos estados de sofrimentos das pessoas para um outro mais potente, mais vitalizador e criativo em suas vidas! Este é o meu trabalho, enquanto clínico-terapeuta-filósofo-artista.

Utilizar a imaginação de forma criativa será dar corpo à construção das metáforas. Poder tocar com os olhos a paisagem. Tocar o movimento das árvores com o olhar será deslocar a posição passiva dos olhos, compreendendo que o que movimenta o olhar dirigido a alguma experiência é algum tipo de desejo. O desejo de olhar uma paisagem é um ato ativo! Assim, podemos tocar as coisas com um olhar! Esta é uma metáfora que podemos utilizar no nosso dia a dia. Tocar mesmo à distância. Criamos uma "passarela" entre a nossa posição distante com aquilo que tocamos pelo olhar. Desta experiência poderemos sentir a presença do instante. Presença da nossa existência na relação com a natureza: ser um ser de natureza, um ser que habita o mundo e, não simplesmente, ser habitado por tantas coisas, por tantas tarefas a cumprir.

Desenvolver a capacidade de sentir o mundo de outras maneiras, numa posição de receptividade daquilo que nos afeta, numa posição de atividade e de abertura ao mundo, nos leva à construção das metáforas. Elas nos indicam caminhos por onde podemos construir novos sentidos da vida, para a vida consigo, com os outros, com o mundo.
Deixe-se tocar pela vida! 

Abraço,
Paulo-de-Tarso





Autor: Paulo de Tarso

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11/09/2017 às 15h54m

Das certezas tão incertas

Nos apegamos às tantas certezas... Nos agarramos com tanta força...
Uma vida feita pelo desejo das garantias... A vida feita como um trilho de trem...

Trilho que nos indica o caminho do início ao fim... Nossa sensibilidade, nossas percepções passam a ver a vida assim... Viver num trilho... Ser um trilho... Prefiro as trilhas... Aprendi isso com uma amiga... As trilhas nos abrem outros caminhos imprevistos... Viver o imprevisível... Compreender que as certezas se agarram ao ego...

Excesso de histórias, excesso de memórias... As trilhas nos levam à descoberta de outras paisagens não previstas...Ser a trilha... Contatar o imprevisível... Ser o artesão do contato não previsto... Ser o artesão de novas gestalts, de novas formas de ser em movimento... Gestaltung... nossas formas de existência na dimensão infinitiva do acontecimento... Ser verbo... Contatar a musicalidade das nossas formas tão incertas de ser... Se abrir às virtualidades do presente... Caminhar nas superfícies dos instantes fugazes... Música, poesia, filosofia... elas nos salvam dos trilhos para sermos trilhas ... Ser... simplesmente ser o fluxo paradoxal dos caminhos tão incertos da vida!

Como viver a vida em meio às tantas certezas? Como viver uma vida singular, uma vida que seja construída por desejos singulares? Como se desviar dos conceitos, projetos e tantos ideais já preestabelecidos e organizados para que possamos consumi-los? Cristalizamos os nossos modos de compreender a vida seguindo as convenções, ao que nos é transmitido como os caminhos mais certos e certeiros para nossas vidas. Construir o caminho de cada dia, construir o caminho para encontros vitalizadores com as pessoas será desenvolver as capacidades de fazer contato. Uma qualidade de contato consigo, com um mundo imaterial que nos habita. Uma qualidade de contato sensível onde saímos da condição de ovelhas que pastam pelos caminhos que seguimos cegamente. Num instante acreditamos que uma decisão é a mais acertada. Num outro instante após, sentimos que aquela crença não era tão verdadeira... podemos pensar de outras maneiras aquela situação. 

A sabedoria do tempo. Quando fazemos contato com as nossas certezas e percebemos que estas mais nos agarram ao desejo do controle, ao desejo de não viver as incertezas, ao desejo de medir a vida através de réguas, de ideias que mais nos distanciam do viver... sentimos que a vida está passando e não nos ocupamos com ela... nos ocupamos com outras coisas nas quais acreditamos ser o sentido de viver. Mas, qual é o sentido de viver? Qual é a certeza que podemos ter em nossas escolhas que, em muitas ocasiões futuras, são modificadas, transformadas? 

Viver a paradoxal experiência das incertas certezas. Viver a paradoxal vivência de que podemos rever os nossos conceitos, nossas decisões, nossas crenças, nossos valores... mas, precisaremos ter a coragem e a grande virtude [como uma grande capacidade, no sentido da filosofia de Spinoza] de desenvolvermos uma ciência afetiva, uma ciência dos nossos modos de contatar as nossas emoções. Estas não nascem do nada. Elas nascem do jogo de afetações permanente com o mundo. Elas nascem do mundo que está em nossas memórias, em nossas recordações, em nossas marcas históricas, em nossos desejos, em nossos sonhos, em nossos projetos de vida, em nossas ilusões, em nossas desilusões. 

Desenvolver a virtude [ou a essência singular e sempre em ato] de contatar quais formas de ser aparecem em formas de emoções a cada contato [quer seja com uma lembrança, quer seja com uma situação aqui e agora] será se encontrar com partes que fazem parte de uma multidão de partes que nos explicam... que nos compõem.

Compreender as emoções: caminho para superarmos o desejo das certezas.

Abraços,
Paulo-de-Tarso  


Autor: Paulo de Tarso

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04/09/2017 às 15h11m

Os espelhos de si

Quantas vezes você já desviou o olhar de um outro olhar, fugindo do contato? Quantas vezes você já desviou os assuntos numa conversa, fugindo do contato sobre eles? Quantas vezes você já se desviou de determinadas pessoas, pois estas podem tocar em assuntos que podem incomodar? Quantas vezes você se desviou dos seus próprios pensamentos, seguindo os pensamentos dos outros? Quantas vezes você se desviou dos seus próprios desejos, para se conformar aos desejos dos outros e das situações? Quantas vezes você já desviou o olhar das suas imagens no espelho?

Sim, por vezes, nos desviamos de inúmeras situações. No ato de viver uma vida ocupada por tantas coisas, buscamos não nos desviar daquilo que já está previsto, já está idealizado de alguma forma no nosso dia a dia. Poderemos passar uma vida acreditando que estamos seguindo um fluxo de um rio que nos levará a um mar de realizações. No entanto, o rio que seguimos poderá ser um trajeto idealizado, um trajeto concebido como a nossa liberdade, mas, o que poderemos estar seguindo é o caminho da nossa própria prisão, da nossa própria servidão. Esta prisão, esta servidão é construída quando deixamos de fazer contato conosco. É quando nos distanciamos da nossa sensibilidade, fazendo um contato que busque não se desviar daquilo que nós somos. 

Quando nos desviamos de nós mesmos e de determinadas situações, poderemos estar buscando os caminhos fáceis de uma vida ocupada com milhares de coisas: mas, não nos ocupamos em desenvolver a sensibilidade de um contato que tem uma virtuosa busca. Esta busca se diz em construir o caminho para o contentamento! Mas, como assim? A busca pelo contentamento é o estado permanente em estar sensível àquilo que se é a cada instante.

Nesta busca, que é o pleno contato com o presente aqui-e-agora em cada situação em que estamos mergulhados, passamos a nos realizar nos olhando de frente, observando o que podemos em cada situação, se dando conta dos momentos que ainda precisamos lidar melhor. Este é o caminho que se faz a cada encontro, a cada momento de nossos instantes mais fugidios. Existem inúmeros caminhos que nos indicam a nossa plena realização para alcançar a felicidade.

Prefiro afirmar que podemos nos encontrar com o pleno contentamento que nasce de um entendimento que não se faz somente através da intelecção, através de um processo reflexivo profundo. Mas, tão-somente, este contentamento se diz de um entendimento que é feito através de um contato com as nossas inúmeras partes que fazem parte de nós. 

Se contentar a partir de um entendimento estético e sensível daquilo que somos. Se contentar pela compreensão daquilo que podemos em determinadas situações e daquilo que não podemos em outras. Se contentar a partir de um entendimento daquilo que somos para os outros. Se contentar a partir da compreensão do que precisamos ainda desenvolver para tocar os outros de modo que os outros possam expandir as suas existências. Se contentar pelo entendimento sensível de nunca termos o total entendimento de tudo, nem de nós mesmos.

Se contentar pela compreensão de que somos feitos por partes tão paradoxais, tão difíceis de serem compreendidas e vistas pelo espelho de si: a inveja, o orgulho, os ressentimentos, as disputas, o ódio, os apegos e tantos outras paixões e emoções tão humanas tão difíceis de serem compreendidas para que possamos as superar. 

No exercício permanente da busca do contentamento nascido do afeto do entendimento, passamos a exercer a nossa humanidade que se expande em direção dos outros, do planeta, da vida.

Contente-se! Busque o entendimento olhando no espelho de si!

Abraço,
Paulo-de-Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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28/08/2017 às 12h46m

Sociedade face-tril

Num mundo com mudanças rápidas, vivendo numa dimensão onde a descrença na vida política é uma realidade, vivendo as inseguranças, não somente, da violência que nos assola a cada dia, mas, por sua vez, na esperança de poder ainda ter o trabalho como fonte de renda e dignidade, as populações tentam superar suas ansiedades e seus temores do modo como podem.

Importante dizer que a depressão afeta 4,4% da população mundial e 5,8% dos brasileiros, segundo os dados da Organização Mundial da Saúde. O Brasil aparecendo como país de maior prevalência de ansiedade no mundo, ou seja, com um percentual de 9,3% da sua população.

Vemos que o uso de álcool e outras drogas se acentua no Brasil e pelo mundo. Estas vem sendo uma das formas infrutíferas para lidar com os infortúnios da vida, ou mesmo na busca de um prazer fugaz que possa afastar, mesmo num espaço curtíssimo de tempo, as ansiedades, temores, as tristezas e o sentimento de um vazio enorme que possa invadir as pessoas. 

Uma outra forma que vem sendo utilizada são as "drogas invisíveis", como eu chamaria. Estas são encontradas nos inúmeros aplicativos dos celulares, nos ambientes virtuais onde milhões [ou bilhões] de pessoas ficam conectadas horas por dia. As pessoas utilizam estas ferramentas virtuais como divertimento, na busca de um prazer, por sua vez, momentâneo e fugaz. 

Um estudo de pesquisadores e médicos da Universidade de Swansea, no Reino Unido e, também, na Universidade de Milão, na Itália, puderam verificar que a frequência cardíaca e a pressão sanguínea de 144 pessoas com a idade entre 18 e 33 anos quando estavam no fim do tempo de uso da internet, apresentaram uma excitação fisiológica pelo aumento da pressão sanguínea e da frequência cardíaca. Os sentimentos de ansiedade se manifestam quando da parada do uso da internet, ou seja, vê-se que a internet é uma das formas de produção das adicções, ou seja, de dependências, não somente, pelo álcool e outras drogas, mas, por sua vez, através de dispositivos digitais. 

Em muitas situações as pessoas não se dão conta de que estão viciadas nos dispositivos digitais. Elas podem apresentar sintomas como irritabilidade, insônia, a mente acelerada, num fluxo de imagens que invade a consciência, produzindo, por sua vez, um sentimento de solidão, de vazio existencial quando não se está conectado.

Este é um fenômeno que gostaria de abordar brevemente: como os laços sociais se fragilizam a cada dia! Como as pessoas estão super-conectadas pelos dispositivos digitais, mas, não se tocam mais, não buscam as pessoas presencialmente! As percepções se dessensibilizando pelos repetidos estímulos dos dispositivos digitais, cronificando os modos de sentir, de ver a vida através das telinhas... a vida perdendo de pouco a pouco os matizes, os odores, as imagens vistas por olhos e sensibilidades mais ativas e plenas. 

Com o tempo o prazer obtido em ver as notícias, em reagir às imagens e informações do facebook, o prazer [ou a expectativa] em receber as mensagens pelo watsApp, ou publicar e acompanhar as fotos pelos Instagran, vão se configurando como uma adicção, como uma droga difícil de largar. O facebook podendo se tornar um "face-tril", ou seja, um medicamento para o alívio da ansiedade, assim, como o Rivotril também pode ser utilizado. Podemos indagar: o quanto estes dispositivos digitais e seus aplicativos vêm se configurando em meios frustrados para superar a solidão, o sentimento de não-pertencimento, o sentimento de não fazer parte do mundo? O quanto eles se configuram num artifício frustrado de buscar o prazer que não se consegue em ato, no contato com os outros? 

Abraço,

Paulo-de-Tarso 





Autor: Paulo de Tarso

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21/08/2017 às 18h18m

Afetividades clivadas

Vemos o mundo de modo cindido... O feio e o bonito... O grande e o pequeno... A luz e a escuridão... O justo e o injusto... O medo e a coragem... O amor e o ódio... O verdadeiro e o falso... O traidor e o traído... O sagrado e o profano... O certo e o errado

Nossas visões de mundo são feitas por estas contradições...... Nossa sensibilidade torna-se clivada... cindida... dividida, quando o nosso olhar se agarra num ponto ou outro destas dimensões... Nossas percepções tornam-se segmentadas... partidas... duras... enrijecidas...

O desafio? Será reconhecer em nós a luz e a escuridão. Quando somos justos e injustos.  O que nos leva a ter medo e termos coragem! Será poder conhecer quando o amor aparece e o ódio nos envolve e toma conta da gente... Será ter a capacidade de conhecer quando somos falsos conosco e verdadeiros em nossos desejos...
Será se dar conta de que aquele que é traído é o próprio traidor... Pois este vive a se trair, construindo uma vida de mentiras... viciado pelo prazer diário de gozar uma vida de falsas verdades... 

Quantas vezes mentimos para nós mesmos? Quer seja, acreditando que seria melhor ter feito uma coisa, mas, no fundo isto que fizemos era muito para nos distanciar daquilo que precisávamos olhar de frente... Quer seja, para nos afastarmos dos nossos sonhos, dos nossos desejos... e assim, passamos a construir uma vida de desculpas, uma vida repleta de justificativas... sempre as palavras ocupando as nossas bocas e os ouvidos dos outros... mas, para quê realmente?! Será que somos verdadeiros conosco a cada dia quando abrimos os nossos olhos? Será que a vida que construímos para nós é a vida que teremos orgulho de dizer no nosso suspiro final: "como foi bom ter vivido tudo isso, mesmo os momentos difíceis foram necessários para o meu crescimento!".

Será que ocupamos a vida com tantas coisas, com tantas palavras, com tantas justificativas, com tantos projetos, estes nos distanciando de uma ocupação necessária a cada dia, a cada instante, a cada segundo: conhecer cada apetite, cada desejo, cada emoção que nos envolve e que movimenta nossos projetos, nossos sonhos, nosso erros... mas, poder se reconhecer em cada emoção, será aumentar o nosso grau de conhecimento sobre nós mesmos.

Será poder ser verdadeiro e poder conhecer quando somos justos ou injustos, quando temos medo e quando a coragem aparece como uma potência, uma capacidade de não fugir de nós mesmos... será afirmar a condição sagrada de acordar mais um dia e poder viver a vida sendo verdadeiro, primeiramente, com a gente mesmo! Será poder perceber os momentos em que traímos os nossos valores, as nossas crenças, os nossos princípios de vida... a corrupção dos valores, dos princípios humanos começa quando corrompemos a nossa visão de mundo para cair nas armadilhas das facilidades prometidas pelos outros!  

E nesta aventura do conhecimento poderemos conhecer as profanações que fazemos da nossa curta e incerta existência... Talvez aí possamos ser mais inteiros e mais verdadeiros com a gente, com os outros... Talvez aí possamos estar mais perto da natureza que nos habita... Será seguir o que a filosofia Taoísta nos diz: nos é preciso aceitar e assumir alegremente o mundo tal como ele é realmente... sem a busca de subterfúgios, sem a busca das mentiras que podemos construir para nós mesmos, clivando a nossa existência num modo de ser onde nos auto-afetamos negando aquilo que é preciso olhar de frente, sem adiamentos, sem ressentimentos, sem auto-vitimização, sem medo de olharmos para as nossas contradições, para as inúmeras partes e modos de ser que coabitam nossa existência... as nossas multidões de modos afetivos, as nossas multidões de emoções, de imagens e pensamentos que nos envolvem... quem sabe para que possamos habitar melhor a vida deste planeta com os outros!

Abraço,

Paulo-de-Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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14/08/2017 às 16h18m

Os poros da alma

O quanto os teus modos de ver as coisas da vida estão fixados em tuas verdades? O quanto os teus modos de compreender os outros estão condicionados àquilo que você deseja que aconteça, ou seja, do teu jeito, da tua forma de ser? O quanto as tuas maneiras de ser, as tuas formas de lidar com as situações na vida, com as pessoas, estão cristalizadas, sem vitalidade? O quanto a tua vida fica paralisada, sem criação, sem abrir novas possibilidades?

Estas questões podem nos ajudar a pensar um ponto fundamental: como fomos condicionados a ver o mundo a partir de tantas verdades! Ao longo do tempo fomos escutando, vendo, sentindo tantas pessoas falarem tantas coisas acerca de como deveríamos ser, de como a nossa saúde deveria ser, de como o nosso corpo deveria ser, de como a nossa escolha profissional deveria ser, de como o nosso presente deveria ser, de como o futuro deveria acontecer.

Ao longo do tempo passamos a acreditar em tantas verdades que nos foram apresentadas como caminhos certeiros para a construção de uma vida feliz, exuberante e vital! No entanto, nem sempre o que prometeram como verdades a serem seguidas funcionou como uma conduta de vida que nos levasse a uma vida verdadeiramente potente, onde pudéssemos nos realizar enquanto seres humanos e, por sua vez, contribuindo na realização da vida de outras pessoas.

Claro, as decepções com as pessoas que acreditamos durante tanto tempo podem ocorrer! Por mais que vivamos com uma pessoa durante anos, décadas, nunca sempre teremos a sensação de que algo muda, algo se transforma, algo poderá mudar. Como lidar com a impermanência das coisas, da vida? Como lidar com as transformações das pessoas que sempre nos disseram determinadas coisas e, com o tempo, passam a nos dizer outras?

Será preciso desenvolver uma sensibilidade, uma estética das percepções para que possamos sentir o processo de vida se fazendo. No entanto, nos ocupamos com bilhões de atividades, de trabalhos, de situações que mais se transformam numa obesidade de tarefas! Não nos ocupamos conosco! Não nos ocupamos com o desenvolvimento de uma sensibilidade do presente! Não aumentamos as nossas capacidades fazer um pleno contato com o que se passa diante de nós. Vemos pelos olhos daquilo que nos aprisiona a cada dia: ganhar dinheiro, viajar no fim de semana para não onde, a festa onde poderemos nos divertir, ir ao shopping.

Claro que tudo isto é muito bom! Agora, onde está o tempo para se ocupar consigo? Onde está o tempo para desenvolver um olhar sobre as tuas emoções, um olhar que preste atenção nas palavras que saem da sua boca, uma percepção de si na relação com o que te acontece aqui-e-agora? Desenvolver a capacidade de entrar em contato com a porosidade das coisas. Tocar o mundo a partir de uma posição onde não exista mais julgamentos, mais preconceitos, mas, sim, a busca incessante de compreensão sobre o que se passa.

Olhar a impermanência das coisas; Sentir o fluxo de vida; Construir o pleno contato; Abandonar as prisões mentais; Se libertar do ego que é fruto do desejo de controlar tudo… a vida…; Olhar a vida pelas porosidades das coisas ; A porosidade do instante; A porosidade do presente; Tocar a vida pelas porosidades do olhar; Olhar pelos poros dos desejos; Olhar pelas porosidades dos perfumes; Olhar pelas porosidades dos fluxos da impermanência ; Tornar-se poros; ser a porosidade receptiva do mundo; Ser o Pleno contato…; Aprender a olhar a vida às avessas…; Ver pelos olhos da alma, pelos poros do coração…

Desenvolver o pleno contato no presente que está diante de si!

Afete os outros como gostarias de ser afetado! Escreva para mim: paulo.tarso.peixoto@gmail.com.

Abraço,
Paulo-de-Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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09/08/2017 às 15h47m

Autopiedade

Autopiedade: substantivo feminino que vem significar a piedade de si mesmo; a experiência existencial de autocomplacência relacionado aos problemas da vida; podendo ainda significar os desgostos ou necessidades e vicissitudes não alcançadas. Você já se sentiu envolvido pelo afeto de autopiedade? Já sentiu que foi injustiçado, ou ainda, que os outros são os responsáveis pelas coisas que acontecem com você? Já ficou horas [ou mesmo dias] com as imagens das situações que não corresponderam com o modo como você gostaria? 

Estas questões nos fazem pensar como podemos paralisar os nossos contatos com os outros, com o mundo, fixando-nos na posição de autopiedade ou autocomiseração! 

Podemos nos perguntar nestas ocasiões: ficar fixado nas imagens das situações onde as pessoas fizeram algo conosco produz um presente repleto de emoções ressentidas que mais responsabilizam os outros pelo que fizeram conosco? Será que construímos o nosso presente, nestas situações, mais apontando do dedo para os outros que fazendo contato com a parte que também temos nestes contextos?

Seria singular prestar atenção ao que falamos dos outros. No entanto, nos ocupamos com inúmeras coisas, vivendo uma vida atribulada onde não há espaço-tempo para fazermos contato com aquilo que dizemos, pensamos e sentimos. Vivemos uma vida de atividades contínuas onde não há tempo para uma reflexão sensível e verdadeira conosco.

Na Grécia antiga a experiência diária de se ocupar consigo para um permanente conhecimento dos contatos que fazemos com o mundo se chamava ‘epimeleia heautou’. O filósofo Michel Foucault nos diz que praticar o ‘epimeleia heautout’ era a arte do cuidado de si! Um tipo de cuidado onde podia-se extrair o conhecimento para a construção de relações potentes e frutíferas para a vida! Este cuidado de si fazia parte da educação na Grécia antiga. Não somente aprender a matemática, a física, as artes da guerra, mas, sobretudo, aprender a reconhecer em si as emoções que mais nos distanciam dos outros e da vida na cidade. O trabalho de conhecimento de si era fundamental para que, primeiramente, cada um pudesse compreender o mundo de emoções, de pensamentos, de desejos que nos habitam. 

Conhecer as emoções [ou as paixões, como diria Spinoza] será formar ideias adequadas, aumentando a nossa potência de existir, produzindo-se como efeito desta experiência de conhecimento, afetos alegres! A prática deste conhecimento de si, ou desta prática de cuidado de si, gera o desejo de aprender mais sobre nós mesmos. 

Como uma prática de vida, o exercício de conhecermos a parte que temos em nossas relações, será nos tirar da posição de vítima que podemos construir a partir de determinadas situações que nos afetam. Conhecer, a partir desta experiência de cuidado de si, será reconhecer o que temos feito em nossos encontros. Será construir um olhar responsável e ativo nas situações que vivemos.

Ao invés de ficarmos paralisados, acusando fulano ou cicrano, poderemos, inspirados em Sartre dizer: "não importa o que fizeram de nós, mas, sim, o que faço com o que fizeram de nós". Destinar o tempo à posição de vítima será colocar a energia de vida na direção de uma servidão onde nos ocupamos com as imagens, palavras e atos dos outros que ainda estão presentes em forma de memória. Esta é a experiência de sermos escravos destas lembranças! A liberdade? Conhecer o que ainda me faz perder um tempo enorme de vida agarrado nestas lembranças!

Trabalho de casa: "busque conhecer os afetos que se ligam às imagens destas situações. Qual é a força destes afetos em sua vida?!"

Abraço,
Paulo-de-Tarso



Autor: Paulo de Tarso

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31/07/2017 às 17h44m - Atualizado 31/07/2017 às 17h45m

Ópios afetivos

Ao longo da vida passamos por vários momentos que construíram em nós determinados modos de sentir. Vamos construindo, mesmo de forma inconsciente, várias arquiteturas afetivas. Assim, as crianças vão, de pouco a pouco, sendo modeladas para sentir a vida de determinadas maneiras a partir dos vínculos que as afetam. Spinoza, filósofo do século XVII, nos dirá que um indivíduo [uma criança, um jovem, um adulto, ou mesmo um outro ser da natureza] será compreendido por seu poder de afetar e de ser afetado. Daí um indivíduo, por um lado, é um grau de potência [seus modos de ser afetivos, ou seja, como se afeta e afeta o mundo e suas relações]. Por outro lado, um indivíduo é uma singularidade, isto é, sendo constituído por inúmeras partes [seus órgãos, pensamentos, emoções etc.] que se combinam de determinadas maneiras para ganhar a sua forma singular, não existindo uma outra igual no mundo nos seus modos de ser. 

Esta pequenina introdução nos encaminha ao tema de hoje: os ópios afetivos e relacionais! Ao longo da vida poderemos viver determinados modos de ser que não mudam. Estes determinados modos de ser fazem parte daquilo que chamamos como as nossas arquiteturas afetivas [nossos modos de afetarmos e de nos afetarmos pelas situações da vida]. Muitos modos de ser podem ser negados em nós. Por vezes, não desejamos olhar para aquilo que é parte de nós. Muitas vezes, apontamos o nosso olhar para os outros e nos ocupamos em falar tantas coisas sobre eles. No entanto, este modo de ser nos diz sobre nós mesmos: olhamos nos outros aquilo que pode fazer parte de nós. Em outros termos, o nosso grau de potência [nosso poder de afetar e de ser afetado em uma dada situação] deseja ver nos outros aquilo que não desejamos ver em nós! Esta seria uma forma de desejo reativo, ou uma força reativa [conforme Nietzsche] que mais nos desvitaliza e menos produz a exuberância da vida na relação com os outros e o mundo.

O risco é de vivermos uma vida inteira movidos por arquiteturas afetivas que mais nos enganam do que nos fazem exercer a humanidade sensível e empática em relação a nós mesmos e aos outros. Podemos criar estratégias de prazer, acreditando que estamos construindo a nossa alegria e nossa liberdade, mas, no fundo, estamos construindo uma prisão, a nossa servidão [conforme Spinoza]. Vemos tantas pessoas hiper-conectadas em celulares e seus incríveis aplicativos. Vemos tantas pessoas construindo projetos de vida que só dizem respeito aos projetos econômicos, conquistando patrimônios, carros de luxo etc.

Vemos tantas pessoas acreditando que a liberdade está numa vida após a vida, deixando de viver o grande ensinamento de Cristo que é a experiência no gesto de desejar aos outros aquilo que desejamos para nós mesmos. Vemos tantas pessoas se enganando através da vaidade, do orgulho, da ganância, do prazer em ver a tristeza ou algum infortúnio na vida de uma outra pessoa que não lhe agrada [ou mesmo na inveja daqueles que diz amar]... Estas arquiteturas afetivas são como o ópio de cada dia.

Ele é tomado a cada gesto de inveja, de rancor, de orgulho, de desejo de poder, do sentimento de superioridade, no prazer em conquistar determinadas coisas que, depois de conquistadas, não possuem mais nenhum valor.
Reflexão: quais são os ópios afetivos e relacionais que utilizamos como forma de nos enganar e, por sua vez, para não olharmos o que precisa ser mudado em nós?

Afete os outros como você gostaria de ser afetado.

Abraço
Paulo-de-Tarso



Autor: Paulo de Tarso

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25/07/2017 às 15h50m

A Beleza social da dúvida

Como o afeto de dúvida se apresenta em sua vida? Vez por outra você é tocado pelas incertezas, pelo aspecto volátil da vida? Como lidar com as transformações e o fluxo da vida que não cessa jamais? 

Vivemos num tempo onde as "certezas" são fornecidas por tantos especialistas, por tantos saberes e discursos... são pretensas certezas que, vez por outra, caem por terra! Assim, vivemos num mundo onde as incertezas nos tocam a todo o tempo. Talvez se colocássemos um pouco da nossa energia diária na direção daquilo que nos inquieta será poder descobrir um mundo novo que tentamos evitar, pelo medo de perdermos a nossa zona de conforto de cada dia.

Hoje temos o prazer de saborearmos as palavras do jovem escritor Mateus Rezende Tebaldi que vem nos alimentar com o seu pequeno ensaio sobre "A beleza social da dúvida".

"A dúvida é Bela. Não é como se eu realmente gostasse de ter dúvidas, pelo contrário! Ter nossa vida e arredores sob controle é uma das melhores sensações que pode se sentir! O medo do desconhecido é tão terrível que pode nos paralisar e nos impedir de seguir em frente! Porém, como já dizia Sócrates, "aqueles que dizem que sabem de algo apenas assinam seu atestado de presunção. Ao afirmar que não sei de nada, sei mais que todos vocês". Ao alegar algo assim, ele não quis dizer que a ignorância compensa, e sim que somos incapazes de estar certos sobre qualquer coisa. A imprecisão do universo é tão tremenda que somos até capazes de nos perguntar se estamos, na verdade, em um grande sonho coletivo sugerido por Matrix...

Problemas na nossa vida são como quebra-cabeças, só que a mesa que jogamos está em uma praia bastante isolada, sem coberturas... É só você, o sol e as ondas vindo para destruir o que você montou até o momento... Gosto de usar essa metáfora para descrever a efemeridade e pressão que sofremos durante nossa jornada. Se por um lado temos que resolver questões de maneiras totalmente distintas de outro ou de um momento para o outro, ele pode deixar de existir para dar lugar a outro a qualquer momento.

Certeza não é algo que temos nesse mundo, então para que correr para resolver um quebra-cabeça que pode ser levado pelo mar a qualquer momento? Minha aposta é que, se você quer uma vida melhor para si, se quer sentir-se melhor consigo e com o que te rodeia, monte o quebra-cabeça se for uma situação que valha à pena para a manutenção ou criação do bem estar do ambiente em que você está. Minha recomendação é para não contribuir para as ondas levarem tudo o que importa para as pessoas, e sim se importar também com algo e trabalhar em conjunto com elas para ter um excelente ecossistema que pode te ajudar a construir uma proteção contra o sol, a chuva, o vento e quem sabe até contra as ondas do mar! Veja o que a dúvida os ajudou a construir!

Meu ponto ao escrever esse pequeno ensaio é fazê-lo refletir sobre o quanto é importante o bom relacionamento social com pessoas que você acredita que são de confiança para quem sabe criar uma vida melhor, preparada um pouco mais para a incerteza que o mundo é, mas sem se esquecer que tudo continua incerto e, por isso, não devemos deixar de aprender. Reflita, aprenda, leia, escreva, fale e ouça. Você pode ser feliz, e aqueles perto de você também. Espero que não se esqueça de meus sentimentos aqui depositados e que tenha uma vida cheia de boas composições."

Afete os outros como gostaria de ser afetado! Sugira um tema, escrevendo para o email: paulo.tarso.peixoto@gmail.com 

Abraço,
Paulo-de-Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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20/07/2017 às 15h21m

Telas em branco

Uma criança vem ao mundo! No útero de sua mãe, ela era tocada por sons vindos do interior e do exterior do corpo dela. Sua pele podia ser aquecida pelo ambiente amniótico... espaço onde suas emoções se entrelaçavam com as emoções da sua mãe! Depois, vindo ao mundo, a criança é tocada por tantas experiências. Sua forma de ser vai sendo modelada por tantas pessoas, por tantas situações. Como uma tela de pintura, a criança vai sendo tocada pelas verdades, pelos valores, pelas crenças que passam, de pouco a pouco, a fazer parte de si. A criança passa a ser um reflexo do que o mundo deseja que ela seja... ela passa a ser um reflexo dos outros, dos desejos destes, refletindo as direções que o mundo indica para ela.

Claro que podemos construir uma vida singular, genuína para nós! Esta é uma tarefa difícil, sobretudo, nos tempos de hoje onde tudo já está pronto para ser consumido, para ser vivido! Esta é a vida "prêt-à-porter", ou seja, a vida que já está prontinha para você viver! Desde alimentos, aos livros de autoajuda que já dizem para você como viver a vida de maneira feliz.

Esta lógica segue o princípio finalista e teleológico que nos indica desde o princípio os caminhos que DEVEMOS seguir para encontrarmos a nossa realização na vida, ou seja, a nossa felicidade! Deixamos de construir e compor o mundo a partir do que acreditamos que possa ser vitalizador para nós, passando a seguir outras formas de leis: aquelas que são indicadas pelos especialistas de diversos ramos.

O duro é que há tanta gente dando tantos conselhos, indicando tantos caminhos, falando em nome da ciência ou de algum campo de saber reconhecido que acabamos nos perdendo... ou, muitas vezes, nos fazendo nos sentir numa deriva num oceano de verdades! Ora um fala a respeito de um assunto como um especialista... ora um outro vem dizer uma outra coisa, totalmente diferente daquele que tínhamos acreditado... e neste regime de crenças, passamos ficarmos obesos de tantas coisas que passamos a acreditar!

Nós somos afetados por tantas verdades e passamos a acreditar nelas! Somos tocados por elas, assim, como um pintor toca a tela com múltiplas cores. O pintor cria seus universos de imagens a partir da realidade que ele imagina, sente e pensa! Ele inventa realidades que são transpassadas de sua imaginação para a tela! 

Se nós imaginarmos que o pintor pudesse ser a sociedade, diríamos que esta inventa realidades, pintando a nossa vida, indicando os matizes dos nossos desejos, indicando como deveríamos ser, sentir e pensar! Mas, há sempre a possibilidade de sermos artistas da nossa existência, sem negarmos a importância das invenções criadas pela sociedade! Poderemos nos encontrar com as palavras da poetisa Ana Karoline S. Almeida que, através da sua sensibilidade, poderá nos tocar com outras paisagens de ideias!

"E se nós fossemos telas em branco? Com qual pintaria você mesmo? Qual tom usaria para moldar e explicar seus sentimentos?  Se é que tenha alguma cor explicativa". Uns riscos e algumas pinceladas; Um céu de cores misturadas; Uma tela em branco eu tenho; Um pincel em minha mão; Correndo sem medo do tempo; Permitindo a sentir; Pensando por qual cor eu devo seguir; Você pintaria um céu apenas para você?; Ou compartilhar várias telas daria mais prazer?; Basta conhecer e permitir; Pegar novas cores; Deixar fluir; Criar novas formas, novas aquarelas. Como seria a sua tela?".
Escreva para mim e sugira um tema: paulo.tarso.peixoto@gmail.com

Afete os outros assim como você gostaria de ser afetado!

Abraço afetivo!
Paulo-de-Tarso


Autor: Paulo de Tarso

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