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ETE do Aeroporto é símbolo do desperdício

Unidade que no passado foi referência no saneamento básico da região, hoje se transforma em um monumento de maquinários e estruturas danificadas

Em 23/04/2012 às 12h57


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Estação abandonada gera riscos para os moradores d Estação abandonada gera riscos para os moradores d
Ao tentar resgatar projetos parados ao longo dos últimos anos, com a proposta de encerrar o governo com uma espécie de "chave de ouro", a atual gestão da administração municipal não vai conseguir contornar os efeitos nocivos gerados pelo abandono de um projeto que chegou a ser referência na região, pela qualidade no atendimento a um serviço essencial a rotina da população macaense: o saneamento básico.

Antes considerado audacioso, devido ao volume de investimentos gerados, e também pela tecnologia, associada ao empenho dos profissionais que mantinham vivo, por 24h diárias, o processo que salvou por vários anos a "vida" do Canal Macaé-Campos, hoje a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Parque Aeroporto, a única que chegou a funcionar na história da Capital do Petróleo, não passa de um parque abandonado, com tanques, reservatórios e acúmulo de materiais orgânicos que colocam em risco a vida de adultos e crianças.

O que já foi símbolo de orgulho para a população de um dos bairros mais importantes do município, hoje a se transformou em motivo de indignação para os moradores do Parque Aeroporto, que enfrentam sérios problemas com o saneamento básico, devido ao entupimento da rede coletora do material orgânico.

Ao acompanhar de perto a história de ascensão e queda da ETE, o vereador Júlio César de Barros (PPL) iniciou um movimento motivado a garantir uma solução para o problema.
"Sou cobrado pela população do bairro pelos problemas com o esgoto. Porém, mais que desentupir redes, é preciso garantir a retomada do projeto da ETE que já foi um marco para o nosso bairro, mas que hoje virou motivo de revolta", afirmou o parlamentar.

Como uma espécie de "Dom Quixote", ele aponta os antigos reservatórios que chegaram a funcionar acoplados a uma centrífuga para decantação do lodo gerado no processo de tratamento do esgoto, que hoje, mesmo destruídos, ganharam vida através da arte da grafitagem, dando cor a um parque fantasma, capaz de registrar histórias tristes, devido aos riscos existentes no local.
Logo na entrada do Estação é possível identificar os sinais de destruição ocasionados pelo tempo e pelo abandono.

O portão permanece aberto, o que facilita o acesso de animais, crianças e adultos que praticam atos ilícitos nas salas onde já funcionaram um dos mais modernos laboratórios de análise de água.

"É lamentável ver uma situação como essa. Quando fui presidente da Associação de Moradores do Parque Aeroporto reclamava quando a água saía daqui mais densa, e despejada no canal. Hoje vemos que tudo está destruído e abandonado", apontou o parlamentar.

Antes utilizados no processo de tratamento do esgoto coletado em parte da cidade, os reservatórios, com profundidade de 10 metros, hoje estão totalmente desprotegidos e com acúmulo de água de chuva, situação propícia para a proliferação do mosquito da dengue.

"Se uma criança cai dentro de um desses reservatórios. De quem será a culpa? Do governo. Eu como vereador não posso aceitar a banalidade desses riscos. Algo precisa ser feito. Luto na Câmara, mas as secretarias e órgãos responsáveis não tomam nenhuma atitude para melhorar a situação. Isso aqui é uma tragédia anunciada", alertou Julinho.

Reflexo no cotidiano dos moradores

Ao identificar a atual situação da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) do Parque Aeroporto, é possível compreender o efeito nocivo gerado no bairro, através do desencadeamento de problemas com o saneamento básico.

Um dos que sentem na pele a falta do funcionamento da ETE é Irineu Alves, que mora na rua 62, a principal do bairro.

Na calçada do seu imóvel Irineu acompanha a elevação do nível do material orgânico depositado na rede de saneamento implantada pelo governo municipal.
Ao abrir o tampão de uma das galerias, também danificado pelo tempo, Irineu teme pelo transbordo do esgoto.

"Já enfrentei vários problemas devido ao esgoto. Se falam que Macaé é uma cidade que bomba, então cadê as bombas da Estação de Tratamento para sugar esse material todo?", questionou o morador.

Irineu aponta também o entupimento das galerias de águas pluviais, assim como o surgimento de ninhos de ratazanas no canteiro que separa as pistas da rua 62, símbolos do abandono em que se encontra o bairro.

"Moro há 28 anos no bairro. Tenho gastos com soda cáustica para desentupir a rede da minha casa que qualquer dia pode transbordar", afirmou Irineu.
A situação já foi tema de uma série de discursos feitos pelo vereador Júlio César de Barros (PMDB) na Câmara de Vereadores, solicitando ações do governo municipal.
"Não sou bem visto por várias secretarias e empresas do poder público por que falo insistentemente sobre essa questão na Câmara. Essas reclamações já foram tema de indicações e requerimentos enviados ao governo, porém, nada foi feito e quem acaba levando a culpa sou eu", apontou Julinho.

A luta por melhorias no bairro é acompanhada também pelos representantes da Associação de Moradores do Parque Aeroporto (Ampra) que buscam junto ao governo municipal respostas para os problemas.

Autor: Márcio Siqueira/ marcio@odebateon.com.br

Foto: Márcio Siqueira


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