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Ypiranga Futebol Clube, do glamour à decadência

Após registrar tantas glórias e de reunir a sociedade macaense, sede do clube foi desapropriada pela Prefeitura

Em 30/07/2012 às 14h52


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Devido à ação do tempo e a falta de manutenção, o prédio apresenta problemas  Devido à ação do tempo e a falta de manutenção, o prédio apresenta problemas
Não se pode negar que, mesmo com dificuldades financeiras que resultaram na decadência de um dos prédios mais antigos de Macaé, o Ypiranga Futebol Clube continua sendo um dos principais patrimônios históricos e culturais do município.  

Mas, antes de ser reconhecido por seus bailes e pelas conquistas em esportes como futebol de salão, basquete e vôlei, o prédio situado na Avenida Presidente Sodré abrigou o Clube do Abaetés, fundado pelo fazendeiro Manequinho Paes.

Segundo historiadores e moradores antigos da cidade, o Abaetés foi fundado pelo fazendeiro depois de um desentendimento com a direção do Tênis Clube, do qual era sócio. A história conta também que a ideia de Manequinho era criar em Macaé um moderno cassino de jogos e roletas, mas em 1945 o general Eurico Dutra, então presidente do país, baixou um decreto proibindo jogos de azar, decreto que dura ainda até hoje. 

Diante do impedimento do governo, o Abaetés tornou-se um clube onde eram realizados suntuosos bailes de formatura, frequentado pela alta sociedade macaense.  No entanto, com o passar do tempo, a manutenção do Clube acabou sendo inviável e o prédio foi vendido para Lacerda Agostinho que, em 1926, fundou o Ypiranga Futebol Clube.

Em pouco tempo, o salão principal tornou-se o espaço dos principais bailes realizados em Macaé, já a quadra construída nos fundos da propriedade tornou-se o berço do futebol de salão na cidade, marcando assim o início do período e glória de sucesso do time que tinha como rivais o Fluminense e o Americano, de Campos dos Goytacazes.

Com o passar do tempo, a quadra recebeu uma proteção e virou berço também de times vitoriosos de basquete e de vôlei. O espaço serviu de palco também para apresentação de grandes nomes da Música Popular Brasileira (MPB) como Ivan Lins e Roberto Carlos, além de concursos para escolhas de Miss Macaé.

Anos depois, o Ypiranga recebeu a rádio ZYP-21- Rádio Princesa do Atlântico, que tinha auditório e realizava programas de calouros, comandados nos finais de semana pelo apresentador Carlos Couto. Na área, eram realizados também bailes de carnaval, por volta da década de 80.

Com a descoberta do petróleo e o início das atividades da exploração na Bacia de Campos, a cidade se modernizou e teve seu eixo de atividades sociais deslocado para a região praiana, sobretudo a Praia dos Cavaleiros. 

Mesmo assim, alguns dos sócios proprietários de títulos do Ypiranga continuaram a frequentar, pelo menos, a quadra poliesportiva para praticar futebol de salão. Já o salão, que no passado foi palco para o início de relacionamentos que duram até hoje, acabou se transformando em espaço para bailes de músicas modernas como funk e forró.

Nesse período, a beleza de um dos prédios mais importantes de Macaé acabou sendo substituída por paredes descascadas, rachadas e com infiltrações. Mesmo com as pequenas reformas estruturais realizadas pelas últimas diretorias do Clube, os salões do Ypiranga perderam o glamour.

Hoje, o prédio da Avenida Presidente Sodré, tornou-se um verdadeiro "elefante branco" ao lado da imponência da Câmara de Vereadores, recentemente reformada. 

Apesar do prédio do Ypiranga ser hoje estranho aos olhos da atual juventude de Macaé, a sede do Clube ainda está em atividade e passou a abrigar a equipe da Coordenadoria do projeto "Macaé 200 anos", que prepara uma série de eventos que irão marcar as comemorações pelo bicentenário da cidade.




Autor: Márcio Siqueira marcio@odebateon.com.br

Foto: Wanderley Gil


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