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Solar Monte Elísio: do glamour europeu à instituição de ensino

Uma das mais belas construções da cidade hoje abriga o Instituto Nossa Senhora da Glória

Em 30/07/2012 às 14h56


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Castelo, que já recebeu visita de D. Pedro II, hoje é sede do Instituto Nossa Senhora da Glória Castelo, que já recebeu visita de D. Pedro II, hoje é sede do Instituto Nossa Senhora da Glória
Na época do Império, Macaé ainda era uma vila rural que vivia basicamente da agricultura, sendo que a economia girava em torno do café e do açúcar. Toda a área onde hoje funciona o Instituto Nossa Senhora da Glória (Castelo) era propriedade do português Francisco José Domingues, senhor de cinco fazendas na região e futuro Visconde de Araújo.

Além de fazendeiro progressista, José Domingues era ativo comerciante e promovia o comércio de Macaé com as regiões vizinhas e, sobretudo, com a Corte Imperial, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro. Nessa época, casou-se com Luiza Leopoldina Guimarães de Araújo, no Rio Grande do Sul. Logo depois, o casal se mudou para Macaé e se fixou no prédio onde hoje funciona a Câmara de Vereadores.

Apesar do casal ter se estabelecido em um dos mais luxuosos prédios da época, Leopoldina quis se mudar para a residência na Fazenda Caturra. Naquele tempo, o casarão de apenas um pavimento era a sede da fazenda. Apesar da vista panorâmica da cidade, Visconde de Araújo quis oferecer uma casa com muito mais requinte para sua esposa. Foi então que mandou construir um solar em estilo europeu, semelhante aos que havia conhecido no outro continente.

O Solar nasceu logo após a independência do Brasil, na época em que Macaé vivia o apogeu da cana-de-açúcar. Ele acompanhou o período republicano e todas as transformações que o Centro da cidade sofreu. Desde quando o executivo e o legislativo se instalaram na atual Câmara, as grandes fazendas passaram a dar espaço para o crescimento da cidade, até a chegada da indústria do petróleo, que se transformou no carro chefe da economia do município. Diz a história que grandes nomes, como D. Pedro II, Duque de Caxias e Princesa Isabel, passaram pelo casarão.

A construção do solar começou em 1852 e só terminou 14 anos depois. O novo prédio, com dois pavimentos e uma ampla sala para a realização de bailes, passou a se chamar Monte Elísio por influência do Monte Elíseo de Paris e dos ventos elíseos que ali sopram. 

A obra foi feita com os melhores e mais custosos materiais. Alvenaria, pisos, portadas, marcos e alisares, tudo feito por construtores portugueses. Bem como as telhas francesas Marseille, madeiramento de pinho de riga, até acabamentos de luxo e decorativos. Artífices afamados do Velho Mundo, decoração de safenas douradas, resposteiros e cortinas estilo renascença francesa compuseram o processo da construção do Solar. Não faltaram as modelares instalações sanitárias com louçarias francesas.

O Visconde também mandou plantar algumas árvores frondosas e bonitas, que também proporcionavam sombra fresca, como os flamboyants e paineiras. A espécie foi trazida para o Brasil na mesma época que as palmeiras imperiais. Sua principal característica é a floração abundante durante a primavera, quando se cobre com flores alaranjadas ou vermelhas. 

Com a morte do Visconde, o casarão passou a ser habitado pelos herdeiros, que com o passar dos anos, acabaram abandonando o prédio. Da época de glórias, restaram apenas a arquitetura, a escada que dá acesso ao segundo andar e o paredão de pedras, com ameias e fortins. O curioso é que para a construção da escada em forma de espiral não foi utilizado um prego sequer.

Em 1962, a história do solar ganha uma nova trajetória. O castelo da família Araújo passou para as mãos das Irmãs Salesianas, que compraram um dos mais cobiçados casarões da cidade. A partir daí, o Solar de residência foi transformado em Instituto Nossa Senhora da Glória - Castelo, que começou a funcionar um ano depois, em agosto de 1963.

Na época, o prédio estava um pouco abandonado e precisando de reformas. As Irmãs preferiram manter a arquitetura original, modificando apenas seu interior. No entanto, o piso continua o mesmo. A diferença é que foi construído um andar a mais, que hoje abriga salas de aula.

Em setembro de 1992, foi iniciada a primeira obra de ampliação do prédio. Alguns anos mais tarde, o Castelo ganhou nova ampliação. Hoje, além do colégio Castelo, também funciona a Faculdade Salesiana Maria Auxiliadora.



Autor: Márcio Siqueira/Arquivo marcio@odebateon.com.br


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