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Lyra dos Conspiradores: um dos berços do abolicionismo

Em defesa da música, instituição lutou contra a discriminação racial e hoje é exemplo na cidade

Em 30/07/2012 às 15h00


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Prédio histórico da Lyra dos Conspiradores ainda é palco de eventos políticos que marcam momentos importantes da cidade Prédio histórico da Lyra dos Conspiradores ainda é palco de eventos políticos que marcam momentos importantes da cidade
Um dos principais centros culturais e políticos de Macaé, berço de discussões que contribuíram com o desenvolvimento de um dos municípios mais importantes do país, a Lyra dos Conspiradores mantém vivo um pedaço fundamental da história de Macaé. 

A história da instituição começou quando um grupo de músicos, totalmente avessos à escravidão, decidiu se unir para fundar uma nova sociedade musical. 

Segundo conta a história registrada em livros, um grupo de abolicionistas não se conformava em apoiar a escravidão através de sua participação na Sociedade Particular Nova Aurora, na época um poderoso veículo de comunicação de massas, que insistia em não utilizar estas qualidades em defesa do escravo. 

Foi quando Luiz Francisco Quaresma, Cândido de Freitas Coutinho, Alfredo Amaral, Antônio José de Carvalho Torres, José Cyriaco e Joaquim Roza decidiram organizar a Sociedade Musical Beneficente da Lyra dos Conspiradores.

No dia 25 de dezembro de 1882 nascia a Lyra, com o objetivo principal de conspirar contra a escravidão que envergonhava o Brasil. Seu estatuto foi o primeiro a desafiar a ordem social da época, estabelecendo que em seu quadro social e na banda de música fossem admitidos todos que o desejassem, sem distinção de sexo, religião, política ou cor.

Muitas são as histórias interessantes que circundaram a organização, entre elas as dúvidas em relação ao nome escolhido: Por que conspiradores? Na época, Dom Pedro, através do escrivão da casa Imperial, mandou uma interpelação sobre suas atividades, acreditando que a entidade macaense estava conspirando contra a monarquia. Em resposta, os diretores da Lyra disseram que um grupo conspirou em segredo a criação de uma nova sociedade musical, diferente da Nova Aurora, e como o objetivo principal seria a música, precisaram de uma lira, daí o nome.

No entanto, entre 1883 e 1888 a Lyra não fez outra coisa senão conspirar ativamente contra a escravidão, quer utilizando sua banda de música como força arregimentadora de massas, quer cedendo suas dependências para reuniões conspiradoras dos abolicionistas. Há, inclusive, quem afirme, mas não existe registro, que o sótão do prédio foi muitas vezes utilizado para esconder escravos fugitivos até seu encaminhamento posterior ao quilombo que existia nas proximidades de Quissamã. 

Em 1887, a Lyra finalmente adquiriu o terreno da sede, o que acabou enriquecendo o movimento de resistência à escravatura. Nessa mesma época, o movimento abolicionista ganhou grande expressão e a sede da Lyra passou a ser alvo de várias tentativas de invasão, inclusive com lutas brutais.

A mais séria delas aconteceu no dia 31 de julho, quando a Lyra recebeu o grande abolicionista Carlos Lacerda, que faria uma conferência na sede sobre liberdade. Como mostram os registros, os componentes da Lyra descobriram que um grupo estaria organizando um ataque ao abolicionista na estação ferroviária. Antes disso, eles conseguiram resgatar Lacerda do trem e o levaram para a sede da Lyra, onde houve o conflito.

Conta-se também, que os primeiros fundadores da entidade compravam os escravos mais velhos e depois davam a carta de alforria a eles. As lutas deste grupo não foram em vão, pois no dia 13 de maio de 1888 foi abolida a escravidão no Brasil. 

Com o passar dos tempos, a Lyra pôde se concentrar exclusivamente nos acontecimentos musicais que já começavam a se esboçar no final do século XIX, numa espécie de prenúncio dos extraordinários avanços que a música experimentaria no decorrer deste século.

A casa continua sendo um grande laboratório de música. Hoje, a casa abriga alunos que aprendem a tocar instrumentos de sopro, teclas e corda. 


Autor: Márcio Siqueira marcio@odebateon.com.br


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