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Forte Marechal Hermes: luta pela preservação uniu a população

Patrimônio histórico da cidade, o Forte é considerado como um dos cartões postais da cidade

Em 30/07/2012 às 15h22


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Forte Marechal Hermes é considerado um cartão postal da cidade Forte Marechal Hermes é considerado um cartão postal da cidade
Criado cerca de 200 anos antes da emancipação política e administrativa de Macaé, o Forte Marechal Hermes é considerado como um dos maiores patrimônios do povo macaense. Ameaçado de ser desativado por diversas vezes ao longo da sua história, a construção, que já serviu de cenário para o filme que contou parte da história de um dos personagens mais importantes da história de Macaé, Mota Coqueiro, hoje é símbolo da força e da disciplina militar, atraindo os olhares de visitantes, e despertando o interesse de crianças, jovens e adultos.

A História

A história do Forte Marechal Hermes da Fonseca começou muito antes que a de Macaé. O Forte foi construído no início do século XVII, mais precisamente no ano de 1613 e se divide em duas fases: a primeira com início em 16 de março de 1613 com a instalação do Forte Santo Antônio de Monte Frio, e termina com a sua desativação em 19 de novembro de 1859, alguns acharam muita coincidência com a praga rogada por Manoel da Mota Coqueiro antes de seu enforcamento, porque não só essa fortificação foi desativada, como outras do Estado do Rio de Janeiro, por ordem do então Ministro da Guerra, o Coronel Reformado Sebastião do Rego Barros "por não serem satisfatórias suas condições defensivas e muito onerosa ao Tesouro Nacional a sua conservação".

Anos se passaram e o segundo ciclo econômico de Macaé gerado pelas construções do Canal e da Ferrovia Macaé-Campos e pela lavoura cafeeira nos Distritos Serranos, fez com que o porto voltasse a ter uma enorme importância comercial no fim do período imperial. 

Foi então, no ano de 1893, que o Presidente da República, Marechal Floriano Peixoto, concluiu sobre a "necessidade de se fortificar, para proteger um porto, como o de Macaé, tão vizinho à Capital da Nação e de tão fácil acesso", motivando, assim, a inauguração do Forte Marechal Hermes, em 15 de abril de 1910 pelo Ministro da Guerra, o Exmo. 

General José Bernardino Bormann, na presença do Marechal Hermes da Fonseca, Presidente Eleito da República e demais autoridades civis e militares. O Presidente Eleito e sua comitiva foram recebidos pelo Coronel José de Lima, neto de Caxias, seguindo, posteriormente, de carruagem, até o local da inauguração.

O porto era de extrema importância na época da cana-de-açúcar, o comércio do café estava no seu início e o sal que era produzido em Cabo Frio eram todos comercializados através do porto de Macaé, que se tornou na época o 6º porto mais utilizado do Brasil.

Os engenheiros que desenharam o projeto do Forte, ajudaram na criação da cidade de Macaé e durante esses 393 anos, o Forte participou e fez história, estando em movimentos sociais, políticos e econômicos da região.

Hoje considerado como um marco, o Forte representa as conquistas alcançadas pela cidade, suportando os ataques e os desafios.

"A 9ª Bateria de Artilharia Antiáerea (Escola) - Forte Marechal Hermes - é a única organização militar representante do Exército Brasileiro na Guarnição, sendo por isso, fiel depositária dos ideais militares de servir à pátria e incólume baluarte de todas as tradições da poderosa Artilharia", destacou o comandante do Forte Marechal Hermes - Major Rafael Dellane.

"Abraço ao Forte"

Um dos movimentos populares mais importantes de Macaé aconteceu em 1995: o Abraço ao Forte. A história começou quando o 10º Grupo de Artilharia de Costa Motorizado no Forte Marechal Hermes da Fonseca foi ameaçado de extinção pelo Comando do Exército, que estava prestes a fechar as suas portas. 

Na época, a especialização do Forte era Artilharia de Costa e com o plano de modernização do Exército, essa doutrina seria extinta. O comando militar havia assinado o documento que colocava à venda o local onde ficam as instalações do Forte.

O motivo era que este grupo não seria mais necessário, haja vista que a costa é muito extensa e o avanço tecnológico permitiu barcos mais velozes e melhores técnicas navais, e o Forte não seria o suficiente para a defesa da costa. Além do mais, sua utilidade havia sido maior na época em que o porto tinha uma grande importância, quando as vias marítimas eram mais usadas. Por isso, foi resolvido tornar a artilharia de costa inoperante.

Para evitar a venda do Forte, o então prefeito Silvio Lopes Teixeira, encaminhou à Câmara um projeto de Lei para votação de urgência, o qual visou o tombamento do acervo cultural e histórico daquela unidade militar, e celebrar o convênio com a União, segundo o artigo 1º da Lei nº 9.636/98, que visou promover a preservação do sítio onde a instituição está localizada. A proposta era proteger a área do entorno e a edificação. 

No domingo, no dia 07 de dezembro de 2003, às 10 horas, 1,5 mil pessoas entre crianças, jovens e adultos com camisas, bandeirinhas e faixas, estiveram em frente ao Forte Marechal Hermes da Fonseca para dar o abraço que marcaria e mudaria a história do Forte e, consequentemente, a de Macaé. Todos mostraram, de uma forma inteligente e eficaz, que não abririam mão do Forte como patrimônio histórico da cidade.



Autor: Márcio Siqueira marcio@odebateon.com.br

Foto: Wanderley Gil


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