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Cientistas temem pela paralisação das pesquisas do NUPEM/UFRJ

Redução no orçamento volta a preocupar cientistas em Macaé. Sem verbas de fomento à pesquisa, o NUPEM pode fechar as portas

Em 11/02/2016 às 10h47


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Sem os recursos da Faperj é possível que as pesquisas realizadas no município sofram grandes impactos  Sem os recursos da Faperj é possível que as pesquisas realizadas no município sofram grandes impactos
Criado na cidade há mais de 20 anos, como um núcleo multidisciplinar de pesquisas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), historicamente associado ao Instituto de Biologia, o Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Macaé (NUPEM) destina-se a estimular e fortalecer as atividades de pesquisa, ensino, extensão e desenvolvimento tecnológico da UFRJ no campo das Ciências Biológicas, nas Regiões Norte, Noroeste, Serrana e Baixada Litorânea do Estado do Rio de Janeiro.

No entanto, cientistas e profissionais que dão vida à instituição temem que ela venha paralisar suas pesquisas. O motivo: uma PEC que prevê a redução de investimento na área da ciência. De acordo com informações, se aprovado, a verba destinada à pesquisa em todo Estado cairá pela metade. "Se aprovada, é possível que boa parte de pesquisa do NUPEM fique paralisada, entre elas pesquisas interdisciplinares sobre o vetor da dengue e do zika", disse o diretor da instituição, Rodrigo Nunes da Fonseca.  

Ele lembra ainda que projetos para a comunidade do Barreto como o "Esporte com Ciência", coordenado pelo Diretor de Ações para Comunidade, o Prof. Jorge Moraes, também dependem destes recursos vindos do Estado. "Outros projetos como a análise da qualidade da água e da recuperação tanto da lagoa de Imboassica quanto da bacia hidrográfica do Rio Macaé, coordenados pelo Prof. Francisco Esteves, também serão prejudicados. Em um momento que o município sofre com a saída de capitais, o corte de recursos poderia levar a fuga de cérebros de Macaé e do Rio de Janeiro para outros Estados como São Paulo ou até mesmo outros países", disse.

Segundo informações, o Diretor científico da Fundação, Jerson Lima Silva, lembrou recentemente que a FAPERJ vem se dedicando, nos últimos oito anos, ao fomento de pesquisas sobre doenças negligenciadas, como a dengue e o zika, sendo que os investimentos realizados no período somaram R$ 36 milhões. "O Brasil responde por 7,5% da pesquisa em dengue no mundo; e o estado do Rio tem uma contribuição de 33% na pesquisa do País. Temos aqui instituições científicas importantes, como as universidades públicas e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC), que já vinham desenvolvendo projetos sobre o vírus da dengue, que é da mesma família do zika e do chikungunya", disse Lima.

Jerson Lima ressaltou que o comprometimento do governo do Estado em destinar 2% da receita líquida à FAPERJ, conforme previsto na Constituição estadual, tem garantido os recursos necessários à pesquisa. "Sabemos que o cobertor está curto. Faltam recursos para a educação e saúde. Mas, se o orçamento for cortado para 1%, teremos retornos negativos no futuro, como o pagamento de royalties de vacinas que poderiam ser desenvolvidas pelos nossos centros de pesquisa. Esse é um diálogo difícil, mas que tem que ser feito entre sociedade, o legislativo e o executivo", afirmou Jerson Lima.

Recentemente, estava para ser aprovada na Assembleia Legislativa (Alerj) uma proposta de Emenda Constituicional (PEC) que, se aprovada, reduzirá de 35% para 25% o percentual de recursos para a educação provenientes da receita obtida com impostos. O projeto é de autoria do Deputado Edson Albertassi (PMDB), líder de governo na Casa. O parlamentar sugeriu cortar pela metade o repasse de 2% à Faperj e também acabar com a transferência de 6% para a UERJ.

O Diretor do Nupem, Rodrigo Nunes destaca ainda que atualmente o Estado do Rio de Janeiro, através da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro - FAPERJ - tem fomentado o desenvolvimento de pesquisas essenciais para a saúde humana, tecnologias básicas para o tratamento de efluentes, para o conhecimento dos ecossistemas de Macaé e região, dentre outras ações fundamentais não só para a capital como para o interior do Estado do Rio de Janeiro.

"Nos últimos anos, a FAPERJ também tem fomentado vários projetos de estabelecimento de laboratórios de ensino em escolas de Macaé através de iniciativas de docentes da UFRJ-Macaé. Além disso, a Fundação tem permitido o crescimento dos dois únicos cursos de pós-graduação da UFRJ em Macaé que tem qualificado vários macaenses em áreas como meio ambiente, produção de produtos bioativos, bem como nas áreas médicas. E o apoio da FAPERJ ao NUPEM e demais unidades da UFRJ em Macaé tem sido fundamental para o desenvolvimento de Macaé e região. "Não existe desenvolvimento sem ciência, pois é da ciência que surgem as tecnologias que promovem o desenvolvimento humano", disse.

Autor: Juliane Reis Juliane@odebateon.com.br

Foto: kaná Manhães


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Tags: educação


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