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Progresso do petróleo não chega a Imboassica

Localidade onde se concentram as maiores empresas do segmento apresenta problemas de infraestrutura

Em 05/06/2017 às 14h41


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Bairro não foi contemplado com concessão de empresa responsável pelo saneamento na cidade Bairro não foi contemplado com concessão de empresa responsável pelo saneamento na cidade
Situada na zona Sul da cidade, Imboassica se divide entre duas realidades. A primeira, talvez a mais conhecida pela maioria das pessoas, é por conta da concentração das grandes empresas do ramo do petróleo do Brasil e do mundo, responsáveis por grande parte da arrecadação do município. 

Já a outra é a área residencial, que serve de moradia para cerca de 2 mil pessoas. Enquanto um lado é fonte de receita para o município, o outro carece de serviços básicos de infraestrutura. Segundo o relato dos moradores mais antigos, eles habitam essa região antes mesmo das grandes empresas chegarem.

Mesmo com os investimentos feitos nos últimos anos, é possível ver o que ainda falta para que o local ofereça o mínimo de estrutura necessária, contradizendo os altos valores pagos em impostos pelas empresas.
Diante disso, essa semana o Bairros em Debate volta a uma das áreas de maior importância para a economia da cidade para conversar com os moradores. 

"Estamos esquecidos pelos órgãos públicos. Imboassica é um bairro pequeno, que deveria servir de modelo para todo o município", desabafa o presidente da Associação de Moradores, José Cláudio Fernandes, conhecido popularmente como "Dinho". 

Esgoto vai todo para a Lagoa de Imboassica

"A Odebrecht Ambiental fatiou toda a cidade e resolveu que Imboassica não faria parte de sua concessão", diz o presidente. Segundo Dinho, por conta disso, além de não terem sido contemplados com as obras de saneamento realizadas na área sul da cidade, eles também enfrentam dificuldades para conseguir caminhões suga-fossa.

Esane diz que levará, no mínimo, mais um mês para enviar caminhão suga-fossa


"A rede que existe aqui é precária e não atende às nossas necessidades, fora que ela não liga a lugar nenhum. Por conta disso, há alguns anos a própria prefeitura interligou com a pluvial, ou seja, hoje todo o nosso esgoto vai para a Lagoa de Imboassica, sem tratamento, situação que contribui ainda mais com a degradação dela", relata. 

Não bastasse isso, as manilhas estão obstruídas, gerando mais transtornos para os moradores. Quem relata isso é a moradora da MC-88, Sônia. "Está tudo entupido. Todo mundo está desesperado sem saber o que fazer. Como não tem vazão, está dando retorno para dentro de casa. O cheiro é insuportável. Não temos mais condições de esperar a boa vontade do poder público. Se chover será ainda pior. É uma bagunça o que acontece aqui", desabafa.

O mesmo acontece na Rua da Mangueira, onde os moradores abriram uma vala para escoar os dejetos. "As pessoas não podem ficar com o esgoto entupido dentro de casa. O jeito encontrado pela população foi esse, infelizmente", diz Dinho. 

O presidente relata ainda que vem pedindo há mais de um mês à prefeitura os caminhões, no entanto, o serviço estaria suspenso na cidade por falta de pagamento. "Você vai na Esane solicitar e eles dizem que não podem fazer nada porque não renovaram o contrato. Me orientaram para ir na Odebrecht, mas quando fui lá não consegui resolver o problema porque eles alegam que o bairro não é de responsabilidade deles", conta. Dinho ressalta que entrou em contato novamente com o responsável da Esane. "Ele me disse que não há previsão, mas que é provável que a gente tenha que esperar mais um mês, no mínimo. Os moradores estão me cobrando, pois sou líder comunitário, mas já não sei mais a quem recorrer", explica ao mostrar um dos bueiros entupidos. 

Procurada pela nossa equipe, a BRK Ambiental esclareceu que "a área de concessão estabelecida em contrato foi determinada pela prefeitura e abrange parte do bairro Imboassica". A concessionária reforça que "não tem autonomia para prestar atendimento dos serviços de coleta e tratamento de esgoto fora da área estabelecida em contrato".

Bairro não tem área de lazer

Apesar de ser composto na maior parte por empresas, quem mora no bairro conta que não existe  lazer. A única opção hoje para os moradores é uma quadra situada ao lado da escola municipal. No entanto, sem receber manutenção desde que foi criada, há cerca de 15 anos, a estrutura coloca em risco a segurança dos usuários.


Parquinho foi retirado e quadra sem manutenção ameaça a segurança dos frequentadores


"As poucas melhorias nesse tempo foram, a maioria, feitas pelos moradores, uma vez que o poder público tem sido omisso. A estrutura hoje dela é precária e uma ameaça a todos. Tenho vontade de trazer a Defesa Civil para interditar, porque a cobertura pode correr o risco de cair e causar uma tragédia, já que a sustentação de ferro está toda corroída", alerta o presidente.

Além do futebol dos moradores, a quadra também serve de espaço para projetos da própria comunidade. "Temos aulas de capoeira aqui e as crianças brincam, já que não tem um espaço adequado para elas", relata.

O perigo não é apenas na parte externa. Os banheiros quebrados não apresentam condições de uso. "Nem luz tem mais aqui, sem contar a falta de limpeza", destaca o presidente alertando também para a caixa de luz da quadra, que está exposto. "Não tem uma proteção, ou seja, se uma criança ou adolescente quiser consegue ter fácil acesso. Recentemente um menino quase morreu eletrocutado", revela.


A criação de um parquinho é outro pedido feito pela população. "Não temos um local para os menores brincarem. O único brinquedo que tinha foi retirado há mais de seis anos com a promessa de que seria substituído e até hoje nada", conta Dinho.
Há três anos a prefeitura informou que estudava a construção de uma praça no local, no entanto, não houve nenhum avanço em relação a isso.

Redutores de velocidade na MC-088

Um pedido feito há três anos, antes mesmo da MC-088 ser liberada, foi para a instalação de redutores de velocidade na via. Na época, a secretaria de Mobilidade Urbana informou que iria estudar a viabilidade. No entanto, até hoje os moradores aguardam um posicionamento.

População pede a instalação de mais redutores na MC-088


Segundo eles, o problema ali é o risco de acidentes que podem ocorrer devido a alguns fatores, como os motoristas que abusam dos limites permitidos. "Eles colocaram alguns, mas não são suficientes. Como fizeram as calçadas muito estreitas, onde tem trechos que nem dá para passar por conta do poste no meio delas, as pessoas precisam circular pelo canto da pista", conta Dinho.

E isso tem colocado a segurança viária em risco. "Um menino de três anos quase morreu atropelado na saída da escola. Ele estava na beira da calçada quando ocorreu o incidente", diz.

Outro trecho que eles pedem redutores é na Estrada Melchíades Ribeiro de Almeida. "Pedimos que seja colocado, pelo menos, próximo às casas", solicita o presidente. 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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