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Engenho da Praia: três décadas à espera por melhorias

Sem receber suporte do poder público, os moradores relatam problemas de infraestrutura na localidade

Em 12/06/2017 às 13h36


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Saneamento é uma das prioridades no Engenho da Praia Saneamento é uma das prioridades no Engenho da Praia
Quatro meses se passaram desde a última visita do Bairros em Debate ao Engenho da Praia, também conhecido como Parque Lagomar. No entanto, até hoje os moradores continuam lamentando a realidade do local. 

Situado entre o Lagomar e São José do Barreto, o bairro, que tem mais de cinco mil habitantes, ainda enfrenta várias dificuldades, inclusive a falta de zelo das ruas que estão abandonadas pelo poder público. 

Essa semana, a equipe de reportagem esteve no local e conversou com alguns moradores, entre eles, o presidente do bairro, Wallas Gomes dos Santos, que pedem uma maior atenção por parte das autoridades responsáveis. 

Desde 1989, quando uma grande fazenda foi sendo aos poucos loteada, dando lugar ao bairro Engenho da Praia, cerca de milhares de famílias que ali residem sofrem com a falta de infraestrutura.

Entre os problemas relatados pela população, muitos deles poderiam ser resolvidos de imediato. Na lista de reivindicações estão a limpeza, o lazer, a saúde e o saneamento básico. 

"O nosso bairro está abandonado. Estamos esquecidos pelo poder público, que não atua aqui dentro", desabafa o líder comunitário. 

Esgoto a céu aberto

Quando se fala de qualidade de vida, o saneamento básico é um item indispensável. Apesar de a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que atende o bairro vizinho do Lagomar, estar situada dentro do Engenho da Praia, ainda é possível presenciar vazamentos pela rua. 

Apesar de contar com ETE, moradores dizem que esgoto não conta com destinação adequada


Em todas as visitas feitas nos últimos meses, a nossa equipe encontrou vários pontos do bairro com esgoto jorrando no meio da rua. Segundo Wallas, os dejetos chegam a retornar para dentro das casas. 

"A nossa rede não funciona e contempla apenas parte do Engenho. A ETE aqui é só para o Lagomar, porque ela não nos atende. Até mesmo para conseguir um caminhão suga-fossa é complicado. A gente está há meses pedindo na Esane e eles alegam que não tem para mandar", relata.

A situação é ainda pior para quem mora perto do enorme valão, que é um dos braços do Canal Macaé-Campos. "Sem tratamento, o esgoto acaba tendo como destino o canal, que está assoreado e sem limpeza. A população vive exposta a doenças por conta da falta de infraestrutura no bairro", alerta o presidente.

Segundo a prefeitura, em sua página na internet, a ETE já teria começado a funcionar e todo o esgoto estaria sendo captado, beneficiando cerca de 30 mil moradores. Ela conta com 60 quilômetros de redes coletoras e tem capacidade para tratar até 40 litros por segundo. No entanto, o cenário encontrado pelo jornal O DEBATE mostra o contrário. 


Em fevereiro, a BRK Ambiental explicou para a nossa equipe que ela não opera a estrutura de esgotamento sanitário existente no bairro Engenho da Praia, redes e estação de tratamento, que foi construída e está sob a responsabilidade do poder concedente. A Concessionária esclareceu na época que presta atendimento aos moradores do bairro quando há extravasamento de esgoto nas ruas e necessidade de desobstruções.

Terrenos baldios e carros abandonados

A questão da limpeza pública também tem sido motivo de reclamações. Terrenos baldios continuam sendo alvos de descarte irregular. A situação acaba contribuindo com a proliferação de zoonoses, principalmente ratos, que podem transmitir doenças como a leptospirose. 

Terreno público se tornou depósito de lixo e ferro velho 


Além disso, os moradores denunciam o aumento no número de veículos abandonados, que estão tomando conta de terrenos e até de vias públicas. Mais do que a poluição visual, os carros abandonados também geram problemas de saúde e de segurança pública.

Em março do ano passado, a Prefeitura sancionou um decreto determinando que os veículos abandonados encontrados com focos criadouros de larvas de Aedes aegypti, ou que estejam em condição potencial de se tornarem futuros criadouros, serão removidos para o depósito público de veículos, sendo o proprietário notificado pessoalmente ou por meio de edital. 

As operações de retirada desses veículos em estado de abandono são comandadas pela secretaria de Mobilidade Urbana. A própria secretaria realiza o mapeamento dos locais para notificação e recolhimento dos veículos, tanto por meio do banco de denúncias, quanto pelo levantamento dos agentes de trânsito em patrulhamento. 

População carece de área de lazer 

Apesar de ter muitas crianças e jovens morando no bairro, até os menores parecem ter sido esquecidos pelas autoridades nos últimos anos. Se, por um lado o Engenho da Praia cresceu, por outro, a infraestrutura ainda vem em passos lentos. 

Sem área de lazer no bairro, crianças e jovens improvisam 


Um dos maiores desejos dos pais é que um dia o bairro tenha uma área de lazer. Sem nenhuma praça, é comum ver os pequenos brincando no meio da rua, sem nenhum tipo de segurança.

Outra opção é se deslocar para outros bairros, como o Centro. Até mesmo a opção mais próxima, situada no Lagomar, acaba sendo inviável já que ambas as áreas são dominadas por facções rivais. 

"Esse terreno da prefeitura, colado no muro da escola, se tornou um pátio com carros velhos, escondendo outros problemas ainda maiores. Por conta disso, estamos sofrendo com uma infestação de ratos e cobras, além de proliferação de mosquitos", relata o Wallas. 

Segundo ele, já foi feito um pedido informal à prefeitura para que resolvesse a situação dos veículos. "Fizeram um ferro velho colado no muro da escola. Estive em janeiro na secretaria de Mobilidade Urbana, mas como pedi a um conhecido, acabei não protocolando a solicitação. Na época não fiz porque eles prometeram que viriam resolver a situação, mas até hoje não apareceram", conta.

Os moradores voltam a sugerir que o espaço seja urbanizado em prol da comunidade. "Hoje a gente só tem o campinho, nas margens da Avenida Industrial, improvisado pela própria população. Enquanto isso, o terreno que poderia ser uma praça segue abandonado, sem utilidade", ressalta o presidente. 

Lembrando que há cerca de dois anos, a prefeitura alegou que o bairro estava incluído no cronograma de ações. Na medida em que os outros bairros fossem atendidos, o Engenho da Praia seria contemplado com a construção da área de lazer. O tempo passou, e até hoje a população fica sem saber se isso irá, de fato, sair do papel um dia.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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