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Melhorias não chegam ao Morro de Santana

Moradores voltam a cobrar do poder público infraestrutura, como saneamento, lazer, saúde e limpeza

Em 21/08/2017 às 17h23


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Saneamento é uma das principais demandas do local Saneamento é uma das principais demandas do local
Quase quatro anos após a matéria sobre o Morro de Santana ser publicada no Bairros em DEBATE, a situação no local parece não ter mudado muito o seu cenário. A comunidade, onde residem cerca de 8 mil moradores, sofre diariamente com diversos problemas, entre eles, o esgoto a céu aberto e os entulhos pelas calçadas e terrenos baldios.

Cansados de esperar pelas promessas do poder público, os moradores procuraram novamente a equipe do jornal para reclamar sobre o descaso. A comunidade fica situada próxima a bairros como Aroeira e Centro e abriga a Igreja de Sant'Anna, localizada no topo do morro. 

Quem visita a comunidade já encontra logo ao chegar o esgoto correndo a céu aberto. Composto por várias ladeiras, com os dejetos transbordando, as ruas viram enormes cachoeiras de dejetos, exalando o mau cheiro. 
Há cerca de duas semanas, o jornal publicou uma reportagem falando sobre um enorme vazamento na Rua Alcides Vieira, na altura do número 19. Segundo os moradores, o problema é recorrente. 

"Isso já está assim há mais de um mês e não conseguem resolver. Quando a gente entra em contato com a BRK Ambiental, ela informa que esse caso não é de sua responsabilidade, pois se trata de um vazamento de água. Com isso, manda procurar a prefeitura e a Nova Cedae. Só que tem esgoto misturado. Dá para notar pelo cheiro e coloração. Está horrível porque desce até a Alcides Mourão. Além disso, os dejetos ficam na porta das casas das pessoas, causando incômodos. Fora a cratera, que está impedindo o acesso de veículos na rua. O pavimento também está escorregadio para as pessoas passarem, correndo o risco de caírem nessa água suja", explica a presidente da Associação de Moradores, Jaqueline Andrade de Souza.

Outro trecho é na via principal do bairro. A líder comunitária diz que a BRK vem sempre, mas nunca resolve o problema de vez. "É um problema crônico. Não adianta vir apenas e sugar. Já abriram a rua e viram que a manilha está normal, só que explicamos que tem que consertar o cano que liga a caixa à rede, que está danificado. Enquanto não fizerem isso, vai continuar transbordando", diz ela lembrando que a rede não atende mais a demanda da comunidade. "Ela é a mesma tubulação de sempre. A quantidade de residências aumentou e hoje ela não suporta mais, não dando vazão", ressalta.


Na nossa visita feita no dia 8 de agosto, a BRK Ambiental informou que esteve no local e constatou que a rede de drenagem pluvial estava danificada, sendo responsabilidade dos órgãos municipais o reparo. A concessionária ressaltou que direcionou uma equipe para realizar a limpeza do esgoto no local. 

A empresa enfatizou também na ocasião que a localidade pertence ao Subsistema Centro e será contemplada com as futuras obras para implantação do sistema de esgotamento sanitário. 
Na tarde da última sexta-feira (17), equipes da prefeitura estiveram nos dois endereços citados, onde realizaram o reparo dos vazamentos e da pavimentação. 

População cobra área de lazer

Boa parte dos moradores do Morro de Santana é composta por crianças e adolescentes. E quando se trata de lazer, eles ficam sem muitas opções. A única praça da comunidade fica na rua principal, na parte alta do morro. 

Única praça do Morro de Santana precisa de melhorias


A área conta com um campo de terra e um parquinho que, segundo Jaqueline, não apresentam condições de uso. "Esse espaço hoje é um quebra-galho para os moradores, porque não temos outra opção. Mas não é o ideal. O campinho de areia coloca em risco a saúde dos frequentadores. Tem caso de crianças que ficaram doentes após o contato com a areia contaminada. Já solicitamos que seja feito um pavimento de cimento ou grama sintética, mas a prefeitura alega que não tem condições de fazer. O parquinho, então, nem se fala. Brinquedos de madeira não são adequados, pois entra farpas", conta.

Paralelo a isso, um dos pontos abordados ao longo desses anos foi a questão de um terreno da prefeitura, que seria transformado em uma praça para a comunidade. Localizado entre as ruas SV3 e SV4, há tempos os moradores vêm solicitando ao governo municipal a construção de uma praça numa área que há muitos anos foi reservada para esta finalidade, mas acabou virando um terreno baldio.

Segundo eles, o espaço que deveria ser para diversão, hoje causa transtornos para os frequentadores, principalmente quando se trata de limpeza. Coberto por mato e entulhos, o que seria uma solução virou mais um problema na lista de quem vive ali. 
Em janeiro de 2011, a Prefeitura informou que o Morro de Santana estava incluído no Programa Bairro Feliz, previsto para aquele ano. Esse projeto previa obras de infraestrutura, inclusive a construção de uma área de lazer.

Limpeza é limitada

Um dos itens fundamentais quando se fala de qualidade de vida é a limpeza. Segundo a presidente do bairro, a prefeitura disponibiliza apenas um funcionário para fazer a varrição em todo o Morro de Santana. Por conta disso, o serviço não funciona como deveria.

Enquanto área nobre ao lado recebe mutirão, limpeza não é feita na comunidade


"Temos um varredor para dar conta de uma comunidade inteira. Isso não existe. Ele só limpa a principal, deixando o restante sujo. Os moradores das outras ruas sempre batem aqui em casa e reclamam. E com razão", diz Jaqueline.
Paralelo a isso, o bairro vizinho, Jardim Pinheiro, área nobre, recebe mutirão de limpeza regularmente. "Você não precisa sair da comunidade para ver a diferença social. Lá eles contam com uma equipe, que faz a varrição e capina. Aqui é uma luta para conseguir mandar alguém vir tirar o mato e os entulhos", relata.

Melhorias na saúde

A Unidade Básica de Saúde (UBS) também foi destaque nesta edição. Segundo Jaqueline, apesar de o atendimento ser bom, algumas pendências estão gerando transtornos para os moradores. Um exemplo disso é a falta de técnico de enfermagem nas terças e sextas-feiras. 

UBS carece de alguns tipos de serviços 

"Se você precisar aferir a pressão, por exemplo, nesses dias tem que ir até outra unidade de saúde porque não tem o profissional", relata ela. Outro pedido é a volta da coleta de sangue, que foi suspensa na UBS. "Tem uns quatro meses que acabou. Agora idosos estão indo até o Centro para doar, sendo que eles já estavam acostumados a fazer o procedimento aqui. São pequenas coisas que podem ser resolvidas para melhorar o funcionamento do nosso posto", completa.

O que diz a prefeitura

Procurada, a prefeitura informou que, apesar das denúncias dos moradores e da própria equipe da unidade, a UBS possui dois técnicos de enfermagem e um enfermeiro. 

Quanto às demandas de lazer, elas foram encaminhadas ao órgão responsável.
Por fim, em relação à limpeza, a secretaria de Infraestrutura informou que esteve no bairro, onde foi  realizado um mutirão, com retirada de entulhos, limpeza e capina. Quanto à varrição, ela estuda aumentar a quantidade de agentes no bairro. 

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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