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Lava-jato: Escolha do Rio como sede das Olimpíadas veio de propina

Organização criminosa de Sérgio Cabral teria comprado voto da Federação Internacional de Atletismo

Em 06/09/2017 às 11h16


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Organização criminosa do ex-governador teria comprado votos por US$ 2 milhões Organização criminosa do ex-governador teria comprado votos por US$ 2 milhões
A cooperação internacional entre os órgãos de persecução do Brasil, da França, da Antígua e Barbuda, dos Estados Unidos e do Reino Unido permitiu que viesse a público os bastidores da escolha do Rio de Janeiro como sede dos jogos olímpicos de 2016. 

Vasta documentação e provas robustas revelaram que a organização criminosa de Sérgio Cabral, na época governador do Estado do Rio, comprou o voto do presidente da Federação Internacional de Atletismo, Lamine Diack, por US$ 2 milhões. 
Diante disso, o Ministério Público Federal do Brasil (MPF/RJ), a Polícia Federal e o Ministério Público Financeiro Francês deflagram na última terça-feira (5), a Operação Unfair Play, com a expedição de mandados de prisão preventiva contra o empresário Arthur Soares, conhecido como "Rei Arthur", e a sua sócia, Eliane Pereira Cavalcante.

Por quebra telemática de e-mails trocados entre os sócios, o MPF descobriu que o empresário pretendia se mudar para o Uruguai. Além dessas prisões, também foi autorizado pela Justiça a condução do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arhtur Nuzman, para oitiva junto à Polícia Federal. Como há suspeitas que o presidente do COB tenha nacionalidade russa, ele está proibido de ausentar-se do país e deverá entregar todos os passaportes que possuir.

Também foram expedidos mandados de busca e apreensão nas casas dos evolvidos, na sede do COB, do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos 2016 e nas empresas AS Patrimonial, Pulse Participações, Laborvida Laboratórios Farmacêuticos, LHS Barra Empreendimentos Imobiliários, Grupo Prol S.A., NZ Palestras, Conferências e Estuados Eireli. Além disso, foram bloqueados diversos bens dos envolvidos, incluindo apartamentos em área nobre do Rio de Janeiro, carros de luxo e aeronaves.

Para dar continuidade aos trabalhos, o MPF obteve na medida cautelar autorização para realizar pedido de cooperação jurídica internacional com as Ilhas Virgens Britânicas, França e Estados Unidos, a fim de rastrear os recursos que o representado Arthur Soares possui em nome de interpostas pessoas nesses países.
Organização criminosa internacional
As fronteiras internacionais não limitaram a atuação da organização criminosa de Cabral. Para os procuradores da República da força-tarefa Lava Jato/RJ, "trata-se de um esquema altamente sofisticado, que agia internacionalmente com desenvoltura e uma engenhosa e complexa relação corrupta". 

Prova disso é que, para alcançar o atual estágio da investigação, o MPF teve que realizar pedidos de cooperação jurídica internacional com nada menos que quatro países diferentes: Antígua e Barbuda, França, Estados Unidos e Reino Unido.

Com a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, o grupo político, capitaneado por Cabral, teve ampla possibilidade de capitalizar-se politicamente e receber milhões em investimentos para realização de obras públicas. Diversas dessas obras (Arco Metropolitano, Maracanã e Linha 4 do Metrô), anunciadas como "legado" das Olimpíadas de 2016, renderam milhões em pagamento de vantagens indevidas (propina) ao ex-governador e demais membros da organização criminosa.

Autor: Ludmila Fernandes ludmila@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: polícia


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