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Área central também precisa de atenção do poder público

Além do esgoto que jorra a céu aberto em várias ruas, a falta de acessibilidade e precariedade nos terminais rodoviários lideram a lista de reclamações

Em 09/10/2017 às 12h57


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Falta de capina evidencia o abandono em algumas ruas 


Engana-se quem pensa que os problemas enfrentados pelos macaenses e pessoas que apostaram na cidade para viver, estão presentes apenas nos bairros distantes. No Centro da cidade, local onde circulam milhares de pessoas diariamente, o problema vai desde a falta de saneamento, a falta de acessibilidade, precariedade em espaços públicos como Terminal Rodoviário e Terminal Central, e muitos outros. 

Assim como grandes centros urbanos, a região central da cidade acumula diversos problemas que, somados, geram muitas reclamações das milhares de pessoas que moram, trabalham ou passam por ali todos os dias. Com tudo isso, essa semana o Bairros em Debate voltou, após algum tempo, a ouvir a demanda de quem reside, ou simplesmente passa pelo local. 

Falta de acessibilidade 
Um dos problemas relatados pela população diz respeito à precariedade quando o assunto é acessibilidade. Em virtude da falta de rampas e até mesmo calçadas em bons estados de conservação quem mais sofre são os cadeirantes, que muitas vezes são obrigados a transitar no meio da rua e entre os carros. 

Cadeirantes enfrentam dificuldades para transitar na cidade 

"A gente não sabe o que é pior, se transitar nas calçadas esburacadas, ou no meio da rua. Sem contar ainda que muitas vezes as calçadas são altas e não dá nem para termos acesso a ela. 

O fato é que, apesar de todo cidadão ter o direito de ir e vir, na prática, isso nem sempre acontece como deveria. Além dos buracos, é comum ver também as calçadas servindo de local para descarte de lixos e entulhos, obstruindo a passagem.  Esse tipo de flagrante é alvo de denúncias com frequência. No caso dos cadeirantes, por exemplo, um dos maiores problemas é a falta de rampas. 

A nossa equipe chegou a flagrar situações desse tipo em vários pontos da cidade. Vale lembrar que o direito de acessibilidade para pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida está previsto na Lei nº 10.098/00. Segundo o Art. 3º, o "planejamento e a urbanização das vias públicas, dos parques e dos demais espaços de uso público deverão ser concebidos e executados de forma a torná-los acessíveis para as pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida". 

Já o Art. 4º ressalta que as "vias públicas, os parques e os demais espaços de uso público existentes, assim como as respectivas instalações de serviços e mobiliários urbanos deverão ser adaptados, obedecendo-se ordem de prioridade que vise à maior eficiência das modificações, no sentido de promover mais ampla acessibilidade às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida". 
Sem saneamento, esgoto jorra a céu aberto 

Não precisa ir muito longe para ver que o problema da falta de saneamento não atinge apenas os bairros mais distantes, ou mais carentes.


Esgoto jorra a céu aberto em várias ruas 


No Centro, o esgoto é um outro problema visível. Em alguns pontos ele corre a céu aberto. Um desses trechos fica na rua Vereador Manoel Braga, onde há dias o esgoto toma conta da calçada e do meio fio da via. De acordo com pessoas que passam diariamente pelo local, o problema é antigo.

"E não é um vazamento só, não, o que dá para observar é que são mais de um, uma situação lamentável. Causa tristeza ver uma cidade como Macaé praticamente abandonada. Por toda cidade é muito esgoto sendo descartado de forma irregular", disse um pedestre.


A mesma situação foi presenciada pela  equipe de reportagem na Rua Francisco Portela, próximo ao Hotel Portugal na altura do número 735.  

"Passo por essa rua todos os dias e há muito tempo esse esgoto jorra a céu aberto aqui. Além do cheiro insuportável, fica difícil pra gente transitar na calçada, e com isso temos que nos desviar para a rua e disputar espaço com os carros. Outra coisa é que os efluentes estão indo para a galeria de água pluvial", disse um morador.


Não é apenas o mau cheiro que preocupa quando o assunto é o descarte irregular desses dejetos. Pois a sua exposição compromete a saúde dessas pessoas, podendo vir a causar doenças, como, por exemplo, disenteria, leptospirose, dengue, varíola, amebíase, bouba, tétano, difteria, ascaridíase, dentre outras. O esgoto a céu aberto também é responsável por agravar problemas respiratórios, como bronquite e até pneumonia.


Além de que contribui para diversos problemas ambientais, entre eles, a poluição do lençol freático. Ele também serve de criadouro para insetos, como mosquitos e também de ratos.

População cobra mais atenção às áreas de lazer 

Em alguns bairros da cidade os moradores reclamam da falta de área de lazer, já no Centro, apesar de haver duas praças, os locais nem sempre contam com a devida atenção do poder público. Na Praça Veríssimo de Mello, dois problemas são registrados em um único lugar, e a solução, embora pareça simples, está distante de ser tornar realidade. 

Moradores pedem limpeza na área do Parquinho na Washington Luis, e na Veríssimo de Mello, brinquedo quebrado acumula água 


Na área de lazer, a parte de um dos brinquedos do parquinho se soltou e engana-se quem pensa que o problema para por aí. O brinquedo, jogado no chão, pode vir acumular água  se tornando um prato cheio para o temido Aedes. 

Um fato que chama a atenção é que, enquanto o descaso é evidente em plena Praça, ironicamente o órgão, por meio de profissionais, bate de porta em porta repassando orientações de como evitar a proliferação do mosquito, entre elas, fazer o descarte adequado de tudo que acumula água, manter bem tampados tonéis e barris de água, manter as calhas, canos e ralos desentupidos, colocar areia nos vasos de plantas, virar garrafas e vasilhas, tampar as caixas e lixeiras. 


Essa situação já foi denunciada pelo Jornal em junho deste ano, mas na época, quando procurada pela redação do Jornal, o órgão municipal não se pronunciou. Enquanto nenhuma medida é tomada, parte do brinquedo segue exposto e acumulando água parada. 


Já na Praça Washington Luiz, pais reclamam da falta de iluminação na área onde fica o parquinho e também da falta de limpeza no local. "Não dá pra ficar muito tempo com a criança em um lugar sujo. São coisas simples que poderiam melhorar. Aparentemente os brinquedos estão em boas condições, mas o carpete está tomado de lixo, as crianças que ainda não andam como meu filho, têm que engatinhar em meio as folhagens", disse uma mãe que prefere não se identificar. 

É importante lembrar que, de acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), o Artigo 53 do documento que trata do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer diz que os municípios, com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude. 

Precariedade nas calçadas 

De acordo com o órgão municipal, "a responsabilidade pela manutenção das calçadas é dos proprietários dos imóveis". Mas quando as condições colocam em risco a segurança da população? De quem é a obrigação de fiscalizar? Enquanto ninguém faz nada, quem mais sofre são os pedestres. 

Calçadas esburacadas colocam em risco a segurança dos pedestres 


Por toda a cidade, calçadas esburacadas são mais problemas enfrentados pela população e pessoas que transitam diariamente pela Capital do Petróleo, e no Centro não é diferente. 

Na Rua Francisco Portela, mesma calçada flagrada com esgoto, a precariedade é assustadora. Em frente ao Brasas Course English, parece que uma árvore foi cortada, mas o tronco não foi retirado e toda calçada está praticamente impossível de transitar. "Está perigoso demais. À noite é ainda pior", disse um pedestre.

Já na Rua Parque Professora Maria Angélica, lateral da Receita Federal, quem passa pelo local pode observar que o serviço de capina parece não ser feito há algum tempo, pois a Rua está tomada por matos.

Autor: Juliane Reis Juliane@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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