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Melhorias se tornam promessas no Engenho da Praia

Bairro situado na área norte da cidade carece de serviços que vão desde os básicos até os mais complexos

Em 16/10/2017 às 11h18


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Moradores pedem reforma de passagem de pedestres sobre canal Moradores pedem reforma de passagem de pedestres sobre canal
Três meses se passaram desde a última visita do Bairros em Debate ao Engenho da Praia, também conhecido como Parque Lagomar. No entanto, até hoje os moradores continuam lamentando a realidade do local. 

Situado entre o Lagomar e o São José do Barreto, o bairro, que tem mais de cinco mil habitantes, ainda enfrenta várias dificuldades, inclusive a falta de zelo das ruas que estão abandonadas pelo poder público. 

Essa semana, a equipe de reportagem esteve no local e conversou com alguns moradores, entre eles, o presidente do bairro, Wallas Gomes dos Santos, que pedem uma maior atenção por parte das autoridades responsáveis. 

Desde 1989, quando uma grande fazenda foi sendo aos poucos loteada, dando lugar ao bairro Engenho da Praia, cerca de milhares de famílias que ali residem sofrem com a falta de infraestrutura.

Entre os problemas relatados pela população, muitos deles poderiam ser resolvidos de imediato. Na lista de reivindicações estão a limpeza, o lazer, a saúde e o saneamento básico. 


Sem suporte nenhum, população cobra do poder público maior atenção 


"Fizeram várias promessas e pouca coisa mudou. A única melhoria foi a reforma do posto de saúde, que ainda apresenta problemas, como a falta de médicos e remédios na farmácia. Ou seja, está tudo a mesma coisa. Continuamos vivendo em clima de abandono", desabafa o líder comunitário. 

Esgoto a céu aberto

Quando se fala de qualidade de vida, o saneamento básico é um item indispensável. Apesar de a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), que atende o bairro vizinho do Lagomar, estar situada dentro do Engenho da Praia, ainda é possível presenciar vazamentos pela rua. 

Em todas as visitas feitas nos últimos meses, a nossa equipe encontrou vários pontos do bairro com esgoto jorrando no meio da rua. Segundo Wallas, os dejetos chegam a retornar para dentro das casas. 

"Temos uma estação de tratamento dentro do bairro que atende o entorno, menos a gente. Ainda somos dependentes dos caminhões suga-fossa, que não atendem com a agilidade que precisamos. É sempre uma dificuldade conseguir que eles venham. Quando as caixas enchem, acabam transbordando. O nosso desejo é que a rede seja feita e ligada à ETE", conta.

A situação é ainda pior para quem mora perto do enorme valão, que é um dos braços do Canal Macaé-Campos. "Sem tratamento, o esgoto acaba tendo como destino o canal, que está assoreado e sem limpeza. A população vive exposta a doenças por conta da falta de infraestrutura no bairro", alerta o presidente.

Iluminação precisa melhorar

Com a violência aumentando no município, a sensação de insegurança é ainda maior no bairro devido a falta de iluminação em alguns pontos. Moradores dizem evitar sair de casa à noite com medo de entrar para as estatísticas.

Enquanto trechos sofrem com a escuridão, em algumas ruas os postes ficam acesos de dia 


"Tem ruas que estão precisando da troca de lâmpadas, como o final de R.12 e da R.Minas Gerais. As pessoas têm medo, porque os assaltos acontecem dia e noite aqui. Enquanto isso, alguns trechos do bairro estão com os postes acesos durante o dia. A gente pede que a troca das lâmpadas seja feita o quanto antes", solicita Wallas.

Ponte em péssimo estado de conservação 

Pauta de uma reportagem em julho, a passagem de pedestres que liga as ruas Santa Catarina e Acre, no Engenho da Praia, precisa, urgentemente, de reforma. Sem receber atenção do poder público, a estrutura, que serve de passagens para centenas de moradores todos os dias, corre risco. 

Moradores pedem reforma de passagem de pedestres


Preocupado com a segurança, Wallas voltou a denunciar a precariedade da estrutura. Segundo ele, a passagem foi construída pelos próprios moradores, que cansaram de esperar a boa vontade da prefeitura.

"O guarda-corpo está enferrujado e solto, ameaçando cair a qualquer momento. Fora que ela é de madeira e não tem a melhor estrutura para que a gente possa circular em segurança. Se não fizer um reforço aqui, já, já, ela vai cair. Se isso acontecer, a população terá que dar uma grande volta para chegar até a principal ou no ponto final do ônibus. A gente pede que a prefeitura nos ajude. Se for o caso, doe os materiais que a própria população se vira e arruma a mão de obra", diz o presidente. 

População carece de área de lazer 

Apesar de ter muitas crianças e jovens morando no bairro, até os menores parecem ter sido esquecidos pelas autoridades nos últimos anos. Se por um lado o Engenho da Praia cresceu, por outro, a infraestrutura ainda vem em passos lentos. 
Um dos maiores desejos dos pais é que um dia o bairro tenha uma área de lazer. Sem nenhuma praça, é comum ver os pequenos brincando no meio da rua, sem nenhum tipo de segurança.

Outra opção é se deslocar para outros bairros, como o Centro. Até mesmo a opção mais próxima, situada no Lagomar, acaba sendo inviável já que ambas as áreas são dominadas por facções rivais. 

Terreno público se tornou depósito de lixo e ferro velho 


"Esse terreno da prefeitura, colado no muro da escola, se tornou um pátio com carros velhos, escondendo outros problemas ainda maiores. Por conta disso, estamos sofrendo com uma infestação de ratos e cobras, além de proliferação de mosquitos", relata o Wallas. 

Segundo ele, já foi feito um pedido informal à prefeitura para que resolvesse a situação dos veículos. "Fizeram um ferro velho colado no muro da escola. Estive em janeiro na secretaria de Mobilidade Urbana, mas como pedi a um conhecido, acabei não protocolando a solicitação. Na época não fiz porque eles prometeram que viriam resolver a situação, mas até hoje não apareceram", conta.

Os moradores voltam a sugerir que o espaço seja urbanizado em prol da comunidade. "Hoje a gente só tem o campinho, nas margens da Avenida Industrial, improvisado pela própria população. Enquanto isso, o terreno que poderia ser uma praça segue abandonado, sem utilidade", ressalta o presidente. 


Lembrando que há cerca de dois anos, a prefeitura alegou que o bairro estava incluído no cronograma de ações. Na medida em que os outros bairros fossem atendidos, o Engenho da Praia seria contemplado com a construção da área de lazer. O tempo passou, e até hoje a população fica sem saber se isso irá, de fato, sair do papel um dia.

O que diz a prefeitura

Procurada pela nossa equipe, a prefeitura informou que, em relação ao posto de saúde, os médicos contratados por meio do Processo Seletivo, estão em fase de entrega de documentação e a situação vai ser normalizada nos próximos dias. Ela confirma a falta de alguns medicamentos, porém, está no aguardo da liberação do Tribunal de Contas (TCE-RJ) para compra de novos lotes.

Quanto à área de lazer, ela disse apenas que estuda a possibilidade, mas que tem dado prioridade a serviços mais urgentes. Quanto a limpeza do terreno, ela informou que o serviço de manutenção no município é realizado regularmente.
Em relação ao tratamento de esgoto, de acordo com a Secretaria Adjunta de Saneamento, o bairro Engenho da Praia faz parte do Subsistema Lagomar e a previsão de implantação da segunda fase está prevista para até dezembro de 2021. Quanto ao serviço de caminhão limpa-fossa, os pedidos podem ser feitos pelo telefone (22) 2796-1235.

Já a troca das lâmpadas, a Coordenadoria de Iluminação Pública, ligada à Secretaria Adjunta de Serviço Público, informou que vai até o local, ainda nesta semana, para realizar o reparo da iluminação no local. Ela lembra que o trabalho de manutenção é contínuo. Para solicitação de reparos é fundamental que a população entre em contato pelo número 156. O serviço funciona das 9h às 20h, de segunda a sexta-feira. A ligação é gratuita quando realizada de um telefone fixo. Também está disponível o número (22) 99979-5226, que funciona como atendimento de demandas via WhatsApp, diariamente.

Sobre a reforma da ponte, a Secretaria de Infraestrutura informa que vai até o local para verificar a situação e realizar a manutenção necessária. Ela ainda atenta sobre a comunicação oficial, pois nunca ouve reclamação e nem solicitação para informar a situação dessa ponte. É necessário que esse tipo de problema seja informado o mais rápido possível pelo telefone (22) 2796-1235, ou pela Ouvidoria do município, por meio do site da prefeitura, no link intitulado Ouvidoria Geral. O contato também pode ser feito por telefone, no número 162 (ligação local e gratuita) ou no (22) 2772-6333. O atendimento ainda pode acontecer pessoalmente, na sede da Ouvidoria, que funciona no Centro Administrativo Luiz Osório, Av. Presidente Sodré, 466, primeiro andar.

A limpeza do canal, a prefeitura disse que não foi registrada nenhuma solicitação sobre essa demanda por parte da Associação de Moradores do bairro. A secretaria ressalta que a limpeza nos canais da cidade é feita de forma periódica. Sobre a solicitação, a demanda será analisada para que sejam tomadas as devidas providências.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Sylvio Savino


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Tags: bairros em debate


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