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Falta de infraestrutura prejudica turismo em Glicério

Moradores do distrito serrano reclamam do abandono. Saúde, limpeza e lazer estão na lista de problemas

Em 06/11/2017 às 11h35


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Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br
Em tempos de crise, fomentar o turismo no município poderia ser uma alternativa econômica para Macaé, que hoje tem a sua receita baseada em grande parte na exploração do petróleo.

Neste momento, a região serrana poderia ser a grande aposta, pois já atrai milhares de visitantes durante todo o ano. No entanto, por trás das belas paisagens, existem vários problemas.
Esta semana, a equipe de Bairros em Debate esteve mais uma vez visitando um dos principais distritos serranos: Glicério, situado a 30 minutos da cidade.

Conversando com a população local, é possível ver que pouca coisa mudou ao longo dos últimos anos. Pelo contrário, o número de problemas só aumentou.

Esta região é muito procurada por turistas locais, como também de outros municípios e estados. Entre os atrativos estão trilhas, rios e cachoeiras. Quem procura a Serra macaense, seja para descansar ou se aventurar em meio à natureza, espera receber o mínimo de estrutura. E é isso que precisa melhorar, pelo menos é o que garantem os moradores que tiram o seu sustento do turismo. 

Desrespeito no Poço da Siriaca 

A cachoeira mais visitada do local é a do Poço da Siriaca. O problema é que, assim como em outros pontos do município, os frequentadores desrespeitam as normas de visitação, comprometendo o meio ambiente.

Visitantes devem respeitar as regras para frequentar a Siriaca 


Para proteger o ecossistema local foi criada a Resolução 007 do Conselho Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (COMMADS), que dispõe sobre normas e critérios para a visitação da Cachoeira da Siriaca, considerada uma Área de Preservação Permanente (APP).

De acordo com o Art. 1º , não é permitido aos frequentadores: a prática de qualquer tipo de esporte no rio e respectiva faixa marginal de proteção; o acesso de animais domésticos; a retirada de quaisquer espécies da fauna e flora; o acesso de automóveis, além da área delimitada para estacionamento; o acesso e estacionamento de ônibus na área destinada ao estacionamento de veículos; o acesso fora do horário de visitação, período compreendido entre as 8 e 18 horas, diariamente.

Já o artigo 2º proíbe o ingresso na área do rio e da cachoeira portando os seguintes objetos: objetos de vidros; aparelhos ou instrumentos que promovam sons; churrasqueiras; barracas de acampamento; produtos que venham causar riscos de incêndio, tais como velas, fogareiros, entre outros; óleos bronzeadores.

Durante a visita, a equipe do jornal encontrou restos de churrasqueiras, sendo duas nas pedras próximo da água, além de uma pequena quantidade de lixo.

A resolução ressalta que é "de responsabilidade de cada visitante o controle próprio dos resíduos gerados, provenientes de qualquer material ou objeto descartável, assim como quaisquer outros objetos que produzam ou se transformem em resíduos".
O desrespeito às normas sujeitará os infratores às sanções previstas na Lei Complementar nº 027/2001 - Código Municipal de Meio Ambiente, bem como às demais leis pertinentes, tais como apreensão, advertência, notificação e multa.

Limpeza e reforço na iluminação 

Considerado ponto de encontro de quem mora em Glicério, os comércios situados na região da Siriaca estão sendo obrigados a fechar as portas mais cedo. Segundo uma moradora, que é dona de um bar na região, o motivo seria a insegurança, uma vez que a região sofre com a falta de iluminação.

Moradores alegam que escuridão aumenta insegurança à noite 


"Estamos fechando antes do anoitecer por medo. Os postes estão, em grande maioria, com as lâmpadas queimadas. No meio da mata, fica um breu à noite. Não podemos nos arriscar. Estamos convivendo com isso há meses, mesmo pagando taxa de iluminação pública. Há cerca de 20 dias fizemos o pedido na prefeitura, mas até agora nada. Não veio ninguém. nossa Serra está toda largada pelo poder público", diz ela, que pede sigilo do seu nome.

Outro ponto também ressaltado pela moradora é a questão da limpeza, que precisa melhorar. "Temos apenas um varredor da prefeitura, que é um senhor e não consegue dar conta sozinho de toda a demanda. Por pena, a própria população tem feito a limpeza para ajudar a manter limpo o local. A nossa preocupação é que muitas pessoas de fora estarão aqui neste verão. Por isso, é preciso um reforço na região", destaca. 

Saúde deveria ser prioridade 

Mesmo sendo um direito de todo cidadão, o acesso à saúde de qualidade é uma realidade para poucos. Quando se trata de Glicério, a situação é bastante crítica. Ao longo dos últimos meses, o jornal O DEBATE vem acompanhando de perto o sofrimento da população que depende da rede pública na região.

UBS atende apenas serviço ambulatorial e no período do dia


Assim ocorre porque o município vive hoje uma crise no sistema, que sofre com a falta de medicamentos, materiais e até de profissionais, como médicos.

"A saúde em Glicério está fechando as portas aos poucos. Já lutamos, fizemos manifestações e o prefeito não nos atende. A verdade é que continuamos abandonados. A nossa unidade, que funciona há mais de três décadas, está em estado precário e precisando de reformas. Falta tudo, desde médicos a medicamentos", destacou Marcelo Figueira, que mora no local há 29 anos, em entrevista recente ao jornal.

"Quando a gente procura a prefeitura, ela alega falta de recursos. O jeito é ir até o Hospital de Trapiche, que também está precário. Esta semana precisei ir lá, fiquei duas horas e não consegui ser atendido. A vergonha continua a mesma", relatou.

Segundo uma moradora, que não quis se identificar, a redução de serviços oferecidos na Unidade Básica de Saúde (UBS) em Glicério tem impactado drasticamente a população. "Está horrível. Falaram que iria fechar, mas acho que pela pressão da mídia resolveram apenas manter o ambulatório. E mesmo assim funciona precariamente. Em determinados horários ele encontra-se fechado, ou seja, reze para não precisar de atendimento depois das 22h, senão terá que ir para outro distrito. Se alguém passar mal tem que rezar e entregar nas mãos de Deus. Está muito complicado", lamenta.

Exemplos têm sido mostrados pelo jornal O DEBATE nos últimos meses. De 2016 para cá, a rede pública tem absorvido grande parte de usuários que deixaram a rede privada devido ao desemprego como resultado da crise econômica nacional.
Procurada pela nossa equipe, a prefeitura, por meio de nota enviada pela secretaria de Comunicação, informou que "Glicério conta com uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que funciona de segunda a sexta-feira, de 8h às 18h". Apesar de a população negar, recentemente ela informou que no local são oferecidos atendimentos por médicos ginecologistas, pediatras, cardiologistas, clínicos gerais e dentistas.

O governo municipal ressalta que a referência na região para atendimento de alta e média complexidade é "o Hospital de Trapiche, que fica a cinco quilômetros de Glicério, cerca de 10 minutos, não sendo fato a precariedade no atendimento".
Em relação aos medicamentos, a prefeitura informa que, para ter acesso, os moradores também devem procurar o hospital. Na nota, ela confirma a falta de alguns medicamentos, porém, está no aguardo da liberação do Tribunal de Contas (TCE-RJ) para compra de novos lotes. 

O que diz a prefeitura

Quanto as questões da Siriaca, a prefeitura informou que, de acordo com a secretaria do Interior, foi iniciada na última terça-feira (31), a limpeza geral e a retirada de entulhos de toda a localidade de Glicério, o que inclui Glicério (Centro), Ilha da Canoa e Óleo. Essa ação segue até total cobertura da região.

Sobre a iluminação, a secretaria  diz que vários trechos foram danificados por um forte vendaval recente, com rompimento e derrubada de fios e quebra de lâmpadas. Tomando conhecimento do ocorrido, a secretaria informou à Coordenadoria Geral de Iluminação Pública, que enviou equipe ao local, procedendo os reparos e que, na próxima semana, a empresa vai voltar para efetuar nova revisão.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Kaná Manhães


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Tags: bairros em debate


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