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Profissionais e candidatos falam sobre o tema da redação do Enem

"Temos muitas leis e muitas ações, mas até que ponto estão sendo efetivas e estão de fato promovendo mudanças?", Jane Capelli

Em 11/11/2017 às 08h03


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Profissionais da UFRJ em parceria com a Secretaria de Educação realizando atividades sobre a temática com estudantes Profissionais da UFRJ em parceria com a Secretaria de Educação realizando atividades sobre a temática com estudantes
Após uma semana da aplicação da primeira etapa do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), o tema da redação "Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil" ainda causa divergências de opinião. Nas redes sociais, alguns internautas foram contra, outros questionaram se não seria um tema a ser cobrado apenas a profissionais da educação. No entanto, muitos aplaudiram a decisão do MEC / INEP de abrir as portas para a discussão da temática, muitas vezes esquecida, e até mesmo ignorada pela sociedade.

Nesta reportagem, o Jornal O Debate ouviu algumas pessoas, entre eles candidatos que fizeram a prova, professores, pessoas que trabalham com pessoas deficientes. Em entrevista, eles relataram a importância da discussão do tema e disseram que o assunto requer mais atenção e que o tema foi bem escolhido.

O secretário municipal de Educação, Guto Garcia, por exemplo, considerou o tema da redação muito importante. "É um momento para trazer essa questão da inclusão de alunos especiais. No entanto, muita gente estranhou ter sido trazido à baila o aspecto especifico da inclusão dos surdos. O tema inclusão foi muito bem trabalhado para os alunos do ensino médio, e acho que o Brasil melhorou muito nessa parte da inclusão. Podemos analisar pela rede, por exemplo, onde as salas reúnem alunos que têm problemas auditivos junto com alunos de audição normal, já que todos têm o mesmo objetivo na apreensão do conhecimento. Há um professor de libras em sala de aula auxiliando esse aluno, e na minha opinião a gente precisa aumentar o treinamento em libras em todo Brasil", pontuou o professor e secretário Guto Garcia.

A Doutora em Ciência, professora Adjunta da UFRJ, e Presidente da Comissão provisória UFRJ Macaé Acessível e Inclusiva, Jane Capelli, considera que é importante que se comece, de fato, dar visibilidade a uma questão que é social e que está no campo das políticas da educação, da saúde.

"A educação dos surdos como a educação das pessoas com deficiência tem sido, sim, tratada pelas instâncias governamentais. Agora, o grande problema é de fato a concretização das medidas. Temos muitas leis e muitas ações, mas até que ponto elas estão sendo efetivas e as coisas estão mudando? O meu posicionamento sobre a prova é que se trata de um tema relevante, e realmente muito importante ser trazido à discussão. A pessoa surda ou com deficiência precisa de intérprete, mas será que nas escolas, de fato, estão colocando à disposição tais profissionais nas salas de aula? Será que todos os lugares que você frequenta tem recursos adequados para atender um deficiente auditivo? Bem sabemos que ainda não, infelizmente. Existem leis que tratam dessas questões, mas não vemos colocadas em prática. Então, acho que o tema é fundamental e conseguiu trazer à tona inúmeros problemas nessa temática", pontua.

Jane destaca ainda que a surdez é algo invisível. A pessoa está lá perfeita, mas ninguém sabe que a dificuldade de ouvir vai interferir na comunicação, no raciocínio lógico, no pensamento. "Então, a reabilitação dessas pessoas é difícil, é demorada, não é simples. E na parte da escola, o professor tem que ter muita paciência porque muitas vezes o aluno não segue o mesmo ritmo dos demais.

O surdo não segue o mesmo ritmo que uma pessoa que tem a audição em níveis normais. Assim, a discussão seria essa dentro da redação. Existem leis sem qualquer aplicabilidade na vida prática. A estrutura para receber um surdo, para receber uma pessoa com deficiência, a escola, os espaços públicos em geral deveriam estar adequados e isso o país ainda não oferece", ressaltou Jane.

A auxiliar-cuidadora, Daniele Magaldi, reforçou a ideia de que é preciso, desde cedo, preparar os alunos e até mesmo nossos filhos para falar de inclusão e entender a inclusão.  "Até porque, hoje, desde a creche até a universidade vamos encontrar alunos especiais nos bancos escolares. O que falta são profissionais capacitados para que proporcionem a justa inclusão. Ou seja, apenas colocar um aluno dentro da sala de aula, e não oferecer condições adequadas, representa mais do que uma exclusão disfarçada", ressaltou.

A estudante Ana Carolina Souza da Costa, que fez a prova para tentar uma segunda graduação sem necessitar de reingresso, disse que o tema é extremamente relevante  e foi ótimo ter sido abordado nessa prova nacional para ganhar visibilidade. "Consegui desenvolver bem o texto, mas considero uma temática tão vasta que as linhas foram poucas. Em contrapartida, fiquei triste ao ver tantas reclamações. Acredito que sendo um assunto pouco discutido junto da sociedade, muitos alunos principalmente do ensino público tiveram muita dificuldade. O fato de não saber escrever sobre o tema já seria um argumento, mas muitos não tiveram esse pensamento na hora", ressaltou a discente. 

Autor: Juliane Reis Juliane@odebateon.com.br

Foto: Divulgação


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Tags: educação


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