Cadastre-se e receba nossas novidades:

Notícias

Atraso nas obras do PAC 2 geram transtornos

Considerada uma das áreas mais carentes, na Nova Esperança moradores sofrem com a falta de infraestrutura

Em 11/12/2017 às 12h50


Versão para impressão
Enviar por e-mail
RSS
Diminui o tamanho da fonte Aumenta o tamanho da fonte


Parte da Nova Esperança já recebeu as obras do PAC, entretanto, outra metade ainda aguarda as melhorias  (Foto Marianna Fontes)


Essa semana, o Bairros em Debate vai relatar, mais uma vez, a realidade dos cerca de 10 mil moradores que vivem no Parque Residencial Nova Esperança, mais conhecido como Nova Esperança. Essa região, que é considerada uma das mais carentes do município, cresceu nas últimas décadas de maneira desordenada e em uma área considerada alagadiça. 
Tal situação obrigou o poder público a tomar medidas, como a urbanização. A comunidade é uma das contempladas com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A primeira fase foi finalizada. Já as ações do PAC 2 seguem inacabadas, situação que tem resultado em grandes transtornos para os moradores.

Enquanto essas melhorias não são concluídas, a população continua sofrendo. Depois de quase dois anos desde a última visita, nossa equipe de reportagem voltou ao local para saber quais os problemas que ainda fazem parte da rotina de quem vive ali. 
Segundo o relato dos moradores, pouca coisa mudou, pelo contrário, a falta de infraestrutura tem piorado problemas antigos com o passar do tempo. Entre as reclamações estão: pavimentação, saneamento básico, falta de áreas de lazer e os alagamentos. 

Esse último foi até pauta de uma reportagem do jornal essa semana. Passa o tempo e a história sempre se repete. Se em dias de sol e calor a população da Nova Esperança sofre com a falta de infraestrutura, quando chove a situação fica ainda mais crítica. 

Se onde a urbanização foi feita a situação é ruim, nas localidades não contempladas é ainda mais crítica. Bastam apenas algumas horas de chuva para que as ruas da comunidade se transformem em rios. 
O mau tempo que tem atingido o município nos últimos dias deixou parte da comunidade mais uma vez em situação caótica.



"Estamos vivendo em estado de calamidade. Pararam as obras e nunca mais retomaram. Elas já deveriam ter sido todas concluídas há anos e até hoje nada. Se não puder fazer as obras agora, que façam pelo menos as melhorias para amenizar o nosso sofrimento", solicita um morador, que pede para não ser identificado.

Ele relatou que a situação é tão crítica que chega a prejudicar a acessibilidade da população de toda a comunidade. "Na principal, a lama é tanta que vai chegar a um ponto que os ônibus não vão conseguir passar mais. Aí que a população vai estar ainda mais prejudicada. Na última semana a comunidade alagou toda e a água ainda não escoou por completo. O pior disso tudo é que as pessoas continuam perdendo seus pertences que compraram com tanto suor. São desumanas as condições que vivemos aqui dentro", diz.


Esgoto é outro problema

Enquanto o saneamento não chega na área a ser comtemplada com as obras do PAC 2, moradores continuam convivendo com o problema do esgoto a céu aberto. Sem ter rede, o jeito é apelar para as fossas. 

Algumas ruas ainda sofrem com as enchentes, que acabam misturando ao esgoto


"Como não temos rede, quando chove as fossas transbordam e misturam a água, expondo a gente a doenças. Enquanto não fizerem as obras a gente vai continuar sofrendo com a falta de infraestrutura", lamenta uma moradora. 


Para piorar, o serviço de limpeza não vem sendo executado da maneira correta. "A demanda é tão grande que a prefeitura não dá conta. A gente fica semanas aguardando para conseguir ser atendido. Enquanto isso, os dejetos ficam transbordando dentro e fora de casa", relata o morador. 

Comunidade não conta com áreas de lazer

Considerada uma área de vulnerabilidade social, crianças e jovens ficam pelas ruas, tudo isso porque não existem áreas de lazer ali. A única existente é uma praça situada na entrada da Nova Holanda, que há anos não vê uma reforma. 

"Não temos um espaço adequado para os moradores aproveitarem as horas livres. As crianças e os jovens ficam pela rua. A nossa única opção é a quadra da escola e mesmo assim não é o ideal", diz Maria Fernanda.

As crianças são as mais prejudicadas, pois não contam com espaços dedicados para elas. "O parquinho mais próximo fica a mais de 1km daqui, na Praça Beira Rio, na Barra de Macaé. Muitos pais acabam desanimando de ir até lá. A comunidade tem muitas crianças, que ficam ociosas por conta da falta de atividades", completa.

Limpeza e proliferação de zoonoses

Um dos problemas enfrentados nessas regiões mais carentes, onde não existe uma ideia de conscientização em relação ao descarte adequado do lixo, é a questão da limpeza. 


Limpeza pública é um dos fatores que precisam melhorar 


Com a sujeira e a falta de saneamento, surge um agravante: a proliferação de zoonoses. Segundo quem vive ali, o índice de infestação de roedores (ratos e ratazanas), baratas, moscas e de mosquitos só tem aumentado.

"O problema nesse caso nem é o CCZ, porque ele vem, mas sim as pessoas que não colaboram. Não adianta os agentes virem, colocar remédio se a população joga lixo em locais inapropriados", diz o morador.

Ele lembra que a preocupação aumenta nessa época do ano. Com o calor e as chuvas, esses ambientes se tornam criadouros para o Aedes aegypti. "No ano passado teve muitos casos de dengue e zika aqui dentro. Se nada for feito agora, isso vai continuar esse ano", alerta. 
O que diz a prefeitura

A nossa equipe entrou em contato com a prefeitura, que informou que a demanda apresentada pelos moradores foi passada para a secretaria de Serviços Públicos. Ela explicou ainda que a secretaria de Obras está ajustando o convênio com a Caixa Econômica Federal para a nova licitação e retomada das obras do PAC2 na comunidade. 

Quanto ao trabalho de conscientização sobre o descarte de lixo, o Centro de Controle de Zoonoezes informa que está à disposição para realizar uma palestra na região. Para agendar hora e local é só entrar em contato  com o CCZ pelo telefone: 0800-0226461 ou pelo email: cczmacae@yahoo.com.br.

Já o problema do esgoto, de acordo com a secretaria de Infraestrutura, ações com o caminhão limpa-fossa são feitas regularmente no bairro. Pedidos podem ser feitos pelo telefone: (22)2796-1235.

Ela enfatiza que o trabalho de manutenção é contínuo no município. A secretaria Adjunta de Serviços Públicos informa que vai até o local na próxima semana para atender a demanda, lembrando que os trabalhos seguem, ininterruptamente, por todos os bairros. 

A Secretaria de Infraestrutura informa que solicitações e reclamações devem ser realizadas pelo telefone: (22) 2796-1235, ou pela ouvidoria do município, por meio do site da prefeitura, no link intitulado Ouvidoria Geral. O contato também pode ser feito por telefone, no número 162 (ligação local e gratuita) ou no (22) 2772-6333. O atendimento ainda pode acontecer pessoalmente, na sede da Ouvidoria, que funciona no Centro Administrativo Luiz Osório, Av. Presidente Sodré, 466, primeiro andar.

Autor: Marianna Fontes marifontes@odebateon.com.br

Foto: Divulgação/ Eu leitor, o repórter


    Compartilhe:

Tags: bairros em debate


View Site in Mobile | Classic
Share by: